sábado, 20 de junho de 2009

Hora...

Olá, pessoal. Cá estou eu novamente. Venho mais uma vez publicar uma poesia-nominal. Ela é do tempo da faculdade de Letras, época em que estava mais aberto à expressão do meu mundo interior por meio de palavras soltas, tortas, emotivas, duras... enfim, palavras presas em meu "eu". Tive vontade de publicar depois de ler uma poesia de Carlos Michel, de quem já falei outrora. Li o texto dele e lembrei que eu havia escrito algo parecido. Procurei e encontrei-a perdida e esquecida por seu criador. Espero que entendam e levantem múltiplas interpretações. Até mesmo, as mais ousadas. Ei-la:



HORA...

Rua.
Calor.
Noite.
Lua.
Olhar.

Mãos.
Atração.
Contato.
Sensação.
Carinho.


Ritmo.
Desejo.
Estrelas.
Cheiro.
Choque.


Delícia.
Suor.
Loucura.
Saliva.
Beijo.
Brisa.

Lua.
Aceleração.
Movimento.
Aperto.
Estrelas.

Calor.
Êxtase.
Sons.
Cheiro.
Olhos.

Momento.
Gemidos.
Lugar.
Noite.
Clímax.
Tudo.

Eros...












Davi Tintino (27.11.01.)








domingo, 19 de abril de 2009

Dos tempos de minha 8ª Série, 1995.

Eita, quanto caminho eu percorri desde que tabelei o ano de 1995, época de minha saudosa 8ª Série "A", lá, naquela escola tão pequenina, mas que para mim parecia enorme, nas manhãs frias de educação física, quando batíamos uma bolinha num espaço de areia que havia entre as salas, onde usávamos, como traves, os bancos de concreto e madeira.
Era um tempo de descobertas, de sonhos, de medos, de desejos físicos... Era o tempo em que este que vos escreve contava com apenas 15 anos. Já naquele momento de minha vida, eu sentia um desejo doido e incontido de escrever, parecia um bicho que consumia meu interior em busca da luz no fim do túnel. Lembro-me que eu escrevia bastante, principalmente, as minhas impressões acerca do mundo, das pessoas, dos medos da humanidade, das dificuldades que eu, como jovem perdido no mundo, sentia em relação ao futuro, ao que poderia acontecer (ou não!).
Estava eu, por estes dias, procurando livros no meu mundo de papéis, quando encontrei um destes saudosos textos que me relaxavam na época de minha tão difícil adolescência. É um texto simples, feito num verso de uma folha que arranquei do caderno de um colega de turma (Edgard André Pereira de Sousa - olha só a minha memória, pois recordo-em completamente o nome de muitos colegas de outrora - pessoa esta de cujo saco eu gostava de enher, tirar a paciência... bons tempos...). Bom, o texto é simples, cheio de "erros", negação às normas gramaticais, redundâncias etc etc etc.
Vou postá-lo, ipsis litteris, afim de mergulhar na cápsula do tempo e, por meio das linhas e palavras tortas, reviver em algum cantinho aconhegante da memória aquele tempo de medos e desejos reprimidos, em que lutar era uma questão de indepenência. Vejam, como o Davi de Hoje via o mundo naquele momento. Ei-lo:

"Consqüências do Egoismo"
" 'Tudo bem? acho [sic] que não. Têm [sic] gente por ai [sic] com cara de fome. A sociedade se entregou por inteiro ao egoismo [sic]. Egoismo [sic] palavra abstrata, que não se ver [sic], mas que se sente. Todos tem [sic] um pouco de egoismo [sic] dentro de si. Essa palavra surgiu no mundo desde os tempos mais remotos, desde que o homem começou a raciocinar, pensar no seu bem-estar. Agora o egoismo [sic] não vive só, Para [sic] lhe fazer companhia surgiu a cobiça e, [sic] a ambição. Deus fez o mundo sem cercas e muros, para que suas criaturas pudessem pocriar e dar as [sic] suas mudas o poder da liberdade. Deus incubiu ao [sic] homem pregar [sic] O [sic] seu [sic] amor sem distinção, ou seja, o que ou a quem.
Muitos hojes (sic), filhos de Deus [sic] são discriminados pela cobiça que os próprios homens gerarar. O egoismo [sic] gerou não somente a ambição, a cobiça, mas também a fome, o racismo, a posição social e muitos outros motivos para que Deus deve estar confuso [sic], pensando como que seus [sic] filhos tiveram cabeça Para [sic] amestrar um sentimento tão sórdido. Talvez algum dia O [sic] homem possa olhar para tráz [sic] e perceber como seu raciocínio negativo gerou no mundo tanta miséria' ".

Autor: Davi Tintino Filho (1995)

Legenda:
- Sic: Sic é um termo da língua latina cuja tradução literal é "assim". A palavra Sic é usada freqüentemente em português para indicar é desta forma (Sic et simpliciter). É possível, de fato, que a palavra "sim" do português tenha origem neste termo.
A palavra "sic" é usada para evidenciar que o uso incorreto ou incomum de pontuação, ortografia ou forma de escrita presente em uma citação, provém de seu autor original. Serve assim para deixar claro ao leitor que não houve um erro de
tipografia. Além desse uso como advertência, a palavra também pode ser empregada para denotar ironia, como neste exemplo:
"O ministro
Antônio Rogério Magri afirmou ontem que Fernando Collor é imexível [sic]."
Via de regra a palavra aparece no texto da forma exemplificada: entre
colchetes e itálico. Isto visa deixar claro que o "sic" não faz parte da citação em si mas foi acrescentado pelo autor da transcrição.

- Ipsis litteris: Ipsis litteris é uma expressão de origem latina que significa "pelas mesmas letras", "literalmente" ou "com as mesmas palavras". Utiliza-se para indicar que um texto foi transcrito fielmente ao original. Pode-se também utilizar uma expressão de mesmo significado, ipsis verbis, que quer dizer "pelas mesmas palavras", "textualmente".

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sic

sábado, 11 de abril de 2009

Sensações

Oi, pessoal, há um tempinho que não posto nada. Quero me desculpar com aqueles que, vez por outra, passam por aqui e perdem um pouco de seu tempo para ler os meus devaneios. Mas vamos lá. Por estes dias, estava eu a procurar uns livros para poder estudar quando surgiu aos meus olhos um velho papel com palavras soltas, aspirantes à poesia. Elas refletem bem um momento em que, provavelmente, a minha falta de concentração teimava em me levar para longe. Leia e certamente vocês poderão imaginar onde estava com a minha cabeça. Boa leitura!



"A respiração forte.
O livro aberto.
O pensamento longe.
A tentativa de concentração, escorregadia.


As palavras soltas no papel gritam uma língua estranha!
Tão simples!
A compreensão incerta
Reforça a certeza do desejo...
Latente!?



Parece indiferente à distância.
Lêdo desejo para quem tem receio de amar.
Então seria amor aquilo que pertubava seu ser?


Ou seria paixão efêmera,
Por um corpo também efêmero?


Sentir...


Ou seria tão somente a carne pulsando lascivamente,
Sob a fina camada de tecido?


Sentir...


Talvez reflexo único de algo maior,
Subliminar,
Único,
Humano...


Sentir...


A resposta é dúbia,
Vaga,
Impalpável à razão sapiens, sapiens...


Sentir...



Sentir,
Desejar,
Real!


Sentir...


O insólito é o denominar,
O caracterizar,
O indizível é medo,
Medo da vontade,
Da insanidade,
Do entregar-se à vontade do corpo.
Do corpo de outrem devorando o seu...



Sentir...




(Por incriível que pareça, não registrei a data de criação deste... desta... bom, deste texto!).






quarta-feira, 11 de março de 2009

A Gabriel Marinho Nono C!

Tenho estado nos últimos anos bem sobrecarregado. Falto tempo para as coisas mais prazerosas da vida: dormir, comer direito, amar, ser amado, ler pelo simples ato de ler... e postar no meu blogger. Hoje, fui surpreendido por aluno novo que disse ter visto o meu blogger e gostado. Gostei do fato de ele ter gostado, pois é difícil para um adolescente entender, na maioria das vezes, o monte de baboseiras que, vez por outra, publico aqui. Mas as exceções confirmam as regras. E hoje venho aqui, unicamente, para dar um alô Gabriel Marinho, do nono ano C, do CSCM.
De antemão, já digo que gostei daquele garoto. É alegre, espontâneo, aparenta sinceridade e tem um sorriso farto.
Peço desculpas aos demais pela falta de tempo. Mas, creio que me compreendem, corro atrás do pão de cada dia (se bem que essa metáfora do pão não engana mais ninguém, pois o suficiente para o pão eu já ganho faz tempo, mas como sou um bicho capitalista, sempre estou em busca de mais e mais e mais e mais e mais...).
Valeu, meu caro Marinho. Obrigado pela visita e espero outras. Vlw, chapa!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

A Vida e a Morte...

Aproveitando o período de férias, estava assistindo a um filme, meio comédia, meio drama, o qual me rendeu boas gargalhadas (A força da amizade, com Kathy Bates e Jéssica Lange), quando foram levantadas algumas discussões sobre vida e sobre morte. Estes dois temas sempre me chamaram a atenção. Para muitos, a vida, o início de tudo. A morte, o término daquela. Outros creem, como os espíritas, que a primeira é apenas o início de muitas outras sucessões que assinalam o princípio de várias existências. Ainda para estes, a segunda consistiria numa passagem para um estágio superior, estágio este que se repetiria, caso o indivíduo que "morreu" não tenha cumprido, satisfatoriamente, a sua "missão" aqui na Terra. Contanto que o tenha feito bem, será "promovido" para um nível superior até que, finalmente, ganhará a redenção...

Para outros tantos, vida-morte são ações naturais que delimitam o início-fim de um conjunto de ações químico-físico-biológicas que caracterizam a trajetória do homem. Para estes, não há algo de sublime nestes limites, é apenas uma sucessão de encontro entre átomos que se agrupam, ao acaso, formando moléculas e, em determinado momento, formam, no momento da concepção, um indivíduo, o qual, depois de nove meses, poderá ver nascer o sol, transformando aquele monte de massa disforme, outrora no útero materno, num ser humano. Este, chegado o momento, passará a ter uma convivência social, além dos cuidados familiares. Escola, faculdade, trabalho, família do(a) noivo(a), colégio do filho... Até que um dia, depois de anos e anos labutando para VIVER, morre-se, simplesmente. E toda aqueles milhões e milhões de átomos voltarão para a Terra, adubando o solo, voltando a ser matéria orgânica.


São muitas as concepções que existem acerca desta notória polêmica. Aí estão muitas instituições a debater sobre quando começa a vida, quando ela termina (o meio jurídico que o diga!) quem pode determinar a morte, quando o homem deixa de existir, para onde é que ele vai (se é que ele vai para algum lugar, senão para baixo de sete palmos de terra...).

De um lado, estão os céticos, ateus, cientistas e todos aqueles que creem que a vida começa e termina, simplesmente, porque algo interrompe a movimentação dos átomos, das moléculas, ou, apenas, porque o tempo encarregou-se de envelhecer a matéria que constrói o corpo.

Do outro, estão os crentes, os que buscam a resposta para a vida humana. Estes acreditam numa força superior, que o fato de estarmos aqui é decorrente de algo ou alguém que está a olhar por nós, punindo-nos ou nos agraciando pelos nossos feitos terrenos. Neste ínterim, a relação vida-morte é expandida por diversas religiões que lhe acrescentam uma visão particular. Cristianismo, Islamismo, Espiritismo, Candomblé, todas elas diferenciam-se por motivos diversos, sejam eles as crenças em um único deus ou em vários; seja por crer que vida se prolongaerá após a morte (ops! morte não, passagem!), seja por imaginar a divindade como um cruel carrasco, que fará com que o mísero humano "queime para sempre numa pedra de mármore no inferno".

Na verdade, creio que metade de tudo isso não passa de meras conjecturas, de suposições infundadas, numa forma de, por algum motivo, alienar a grande massa. Sinceramente, minha relação com o desconhecido é bastante saudável. Não fico horas e horas tentando desvendar o que, humanamente, é impossível. Reconheço, contudo, que não me apetece o fato de passar toda a minha eternidade queimando sobre uma pedra de mármore quente (putz! mármore é muito caro, preciso de algumas pedras para a minha cozinha....).

Quando eu era mais jovem, tremia só em pensar que estava fazendo algo errado, que Deus, no alto do seu poderio, estaria anotando no Livro da Vida todas as minhas faltas, para que, quando chegasse a minha hora de partir desta para uma melhor (melhor nada, ficar queimando num lago de enxofre! Dizeres populares mais descabido ), São Pedro estaria na Porta do Céu me esperando com o Livro na mão, somaria os meus pecados e me mandaria de céu abaixo para o inferno. Falo isso num tom de galhofa, mas é verdade. Por um longo tempo, isso me tirava o sono. Hoje mesmo ainda preservo o medo de ir para o inferno. Reconheço, aqui, que sou cristão, creio em Deus, mas não o Deus-Carrasco, que puni, que chicoteia, preconceituoso, capitalista, que enche os cofres de uns em detrimento da falta de comida na mesa de milhões de outros. Temo a morte, temo a dor da morte, temo o que está por trás do muro alto e infinito que separa os vivos dos não-vivos. Sei que existe algo superior, além do firmamento azul vibrante, além do negrume amedrontador do infinito, além da perfeição arquitetônica das pétalas das flores, além do sorriso divino de uma criança, além do prazer extasiante que vem de momentos de amor... Não creio, como os céticos, que o fato de estarmos aqui, de habitarmos um planeta perfeito, seja obra do acaso, de uma explosão ocorrida há bilhões anos.

Sou um cara com um mundo de ideias próprio, que consegue aceitar a existência da concepção científica do mundo conjugada ao poder divino, na qual este possibilitou aquela. Não importa, na verdade, que nome se dá a esta força superiora: Deus, Acaso, Ciência. Creio no que toco, no que vejo, no que sinto, mas é, justamente, porque consigo tocar, ver, sentir, que creio em Deus. Em momentos de divagação, fico olhando o meu corpo, cade membro, cada órgão, cada lágrima que escorre, e vejo-me extasiado pela perfeição com que fomos construídos.

Quando alguém morre, o choro é garantido, principalmente, quando este alguém era uma pessoa boa, justa, amiga, companheira. Isso é normal. A dor da perda. Num instante, vê-se a pessoa viva, sorrindo, falando e, por alguma fatalidade, vemo-la estirada num caixão, sem vida, inerte. Isso causa dor, causa choro, derramam-se lágrimas. O fato de não mais vê-la, tocá-la é angustiante. Há culturas, porém, cujos rituais de despedida diferem-se do nossos ocidentais. Algumas comunidades celebram a morte, porque para os seus partícipes a morte é motivo de alegria, é o início de uma existência melhor.

Nós, ocidentais, fomos acostumados com a dor, com a visão de que o nascer e o viver são pólos antagônicos. Um traz alegria (nem sempre, ressalte-se!) e o outro a tristeza (idem!). Curto deitar no escuro, na praia à noite (de preferência pelado!) e ficar em contato direto com o cosmo. Fico imaginando que as moléculas que compõem o meu corpo são da mesma idade do início do universo. Quando eu morrer, os átomos que em mim estão, em breve, estarão fazendo parte da matéria de um outro ser, na árvore que dá bons frutos, no capim que será comido pelas vacas que, por sua vez, produziram o leite para saciar a fome dos pobres, estarão compondo os mecanismos eletrônicos dos computadores que movimentam o mundo.
Quem somos nós? Para onde é que vamos? Isso não importa, galera! O que, verdadeiramente, importa é saber que nós somos matéria cósmica, que estamos aqui desde que ocorreu o Bing-Bang, provocado pela bondade de Deus, do Acaso, do Caos. Viemos da mesma massa. Vida e Morte são detalhes que marcam apenas a transformação da matéria, a vinda ao mundo de diferentes formas, espécies, gêneros. Os meus dedosm que digitam o texto que, outrora, será lido por vocês, nada mais são do que matéria reciclada e transformada. Afinal de contas, o que importa é sermos felizes, enquanto humanos, fazermos felizes os outros, vivermos enquanto vida tivermos. O depois... bom, o depois , inevitavelmente, virá e, certamente, de um modo ou de outro todos voltaremos para mesmo lugar de onde saímos: do pó ao pó! Poeira cósmica e nada mais!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Hoje pela manhã!



Acordei, hoje, pela manhã, depois de um dia 31 de dezembro, em que sai com a família para jantar e mostrar às crianças as praças enfeitadas de Mossoró. Encerrei a noite tomando um espumante, fiquei meio tonto e acabei dormindo meio "chapado". Acordei às 9h30min, com o corpo extasiado, cansado, preguiçoso. Silêncio total. O mundo parecia domir. Ao longe, um cãozito latia. O quarto mergulhado numa penumbra gostosa. E um friozinho agradável proveniente de horas e horas de ar condicionado ligado. Fiquei ali, deitado, curtindo o momento, pensando nas provas da faculdade, que me deram trégua, no monte de assuntos os quais tenho que estudar para conquistar o meu lugar ao sol. O cenário era perfeito para que fosse criada uma canção ao estilo de Cazuza, de Renato Russo ou, até mesmo, de Chico Buarque. Estava, realmente, curtindo o momento e minha mente totalmente despida de qualquer pensamento negativo que tivesse me incomodado no ano que falecera.


Fiquei olhando para o teto e lembrei-me de uma pergunta que haviam me feito, horas antes da entrada do ano que estava por nascer. Indagaram-me sobre as metas que eu estabelecera, ainda em 2008, para o bebê 2009. Em um momento qualquer de minha vida, anterior ao que estou vivendo, responderia que estava cheio de projetos a serem realizados, que, certamente, buscaria mais reconhecimento diante da massa social, ou qualquer outra coisa do gênero que satisfizesse o meu eu-capitalista. Porém, com a força divina, tenho procurado fugir um pouco das amarras do nosso sistema, estúpido e fétido, e buscado, encontrar algo mais profundo e essencial para a minha vida.



Não nego a importância do dinheiro, não nego o seu valor e a necessidade de sua posse para se levar uma vida confortável, ajudar aqueles que precisam dele, não nego que gosto pra caralho de ganhar o meu próprio vil metal para usufruir um pouco (ou muito!) das benesses que ele pode proporcionar. O que estou querendo dizer, verdadeiramente, é sobre aquilo que, prioritariamente, deve se sobressair no que concerne às inúmeras necessidades do homem.



Hoje, prestes a completar meus vinte e nove anos, tenho vivido um momento de mais introspecção e tentado perceber o que realmente é mais importante para me fazer feliz. Não aquela felicidade da TV, dos filmes americanos, em que existem imagens padronizadas sobre o príncipe encantado, daquele amor idealizado, que atravessa milhares de provações, até que se consegue atingir o auge da felicidade, felicidade esta que não se acaba mais e que não é interrompida por nenhum infortúnio. Não falo desta felicidade!



Refiro-me a um estado, a uma conscientização, um tanto materialista, sobre como conduzir a vida para uma felicidade verdadeira, falível, como o próprio homem. Falo de uma felicidade consciente, de uma felicidade que nos permite viver e saber que existem momentos que nos proporciona o mais intenso dos sorrisos, da mesma maneira em que existem situações que fogem do nosso controle e provocam a mais aguda e profunda dor. É aí , exatamente, que quero chegar!



Hoje, pela manhã, quando me lembrei daquilo que me perguntaram, pensei que não estabeleci para o ano-neném a busca incessante pela felicidade holliwdiana. Já faz tempo que a descartei. Para este ano que se inicia hoje, busco um outro tipo de vida. Busco encontrar a felicidade que é possível ser alcançada, a essência do que pode realmente fazer um homem feliz. Para 2009, tenho alguns projetos, algumas metas a serem atingidas. Tenho que ler muito, estudar bastante. Ter um desempenho razoavelmente excelente na facul (sintam o paradoxo!), ser o profissional admirável enquanto professor! Tudo isso são metas, objetivos que podem ser alcançados por meio de bastante trabalho. Tenho, no entanto, sonhos que labutarei para consegui-los atigir. Amar e ser amado, preservar a pessoa maravilhosa que tenho, ser um bom filho, um amigo melhor, um irmão mais presente. São, justamente, estes sonhos, conjugados com as metas elencados que podem possibilitar que eu me torne um homem melhor.



Desejo, veementemente, conseguir atingir esse propósito de vida. Conseguir viver, dia a dia, sem cobrança desmedida para atingir metas sobre-humanas. Quero viver o presente, construir uma base sólida agora, dedicar-me ao momento atual, sem ficar com a cabeça nas possibilidades vindouras, no que poderá ocorrer amanhã.



Ontem ouvi uma frase numa música de Frejat que dizia, mais ou menos, assim, quando fala sobre o dinheiro: "tem-se que tirar um momento para saber quem é que manda: você ou o dinheiro", a frase não é, textulmente, assim, mas lembrei-me apenas de sua lição. Quero viver deste modo, reconhecendo a importância do dinheiro, lutando para ganhá-lo, mas não viver em sua função, ganhá-lo para viver e não o inverso.



Quero ser mais sincero e mais honesto neste ano que se inicia. Não que eu seja o mais corrupto e desonesto dos homens, não é isso! Não mandem que a Polícia Federal venha até minha casa para realizar uma busca. Longe disso. Quero apenas eliminar pequenos desejos e ações conspurcados de sentimentos ínfimos. Todos nós temos, mas poucos os reconhecem, principalmente, para si mesmos. Tenho alguns que preciso riscar do meu eu, do meu Id, Ego e Super-ego. Mas, não eliminar a todos, pelo contrário, quero continuar mais homem do que nunca, já que sem os Sete Pecados Capitais, a vida não teria tanta graça assim, além do mais não tenho vocação para santo (Deus que me perdoe...). Quero subjulgar apenas aqueles que me fazem perder o sono. Um deles estou conseguindo, mas não posso revelá-lo aqui, pois respeito as convenções sociais.



Quero fazer de 2009 uma longa estrada que, para ser percorrida, são necessários, exatamente, 365 dias, nem mais nem menos. É uma estrada, relativamente, longa. Quero percorrê-la, sem pressa, sem correr, contando os passos, desenhando os seus contornos, pintando de azul o céu, deixando a mata mais verde, a noite mais escura, o horizonte (dependendo do meu estado de espírito!) mais claro ou mais escuro. Eu sou o artista deste quadro multicolor, de várias texturas, onde podem aparecer alguns personagens coadjuvantes ou apenas para dar mais ênfase ao enredo Davi Tintino-2009. Alguns atores já têm lugar garantido, poderão contribuir para que o meu quadro se torne mais vivo, poderão sugerir nuances, mas, certamente, de uma coisa, não abro mão: a última demão de tinta serei eu quem dará! Até a próxima tela congnominada "Ano Novo"...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Aurora Fantástica

Hoje, meu sobrinho veio me pedir para que eu fizesse a troca das rodinhas de sua moto, que ganhara da mãe. Precisei de uma chave-de-fenda e fui em busca de um canivete. Quando o procurava, encontrei esta velha pseudo poesia. Como faz tempo que não posto nada, resolvi exibi-la, mas pretendo atualizar as minhas idéias. Ei-la:



Aurora Fantástica




Abro os olhos.
Os raios solares me embebedam de prazer.
Sinto um calor me invadindo.
Fecho-me.
Vejo-me no alto de um arranha-céu.
Olho o horizonte que à minha frente cresce.
Absorvo a brisa que me toca.
Respiro o doce cheiro da fruta madura.
Ondas de mormaços matinais percorrem-me o ser.
Entro em êxtase.
Sinto espasmos.
Atiro-me livre ao doce perigo.


Abaixo de mim,
Seres viventes correm em busca do nada.
Deslizo faceiro pelo infinito.
Nada me consome.


À minha volta,
Luzes douradas me celebram:
Sou único.
Nada me prende.

No meu acordar,
Subjulguei toda mediocridade.
O ódio, de mim se desprendeu.
A fúria mesquinha, que a todos engana, rejeitei-a.


Na cama,
Ficaram resquícios de sentimentos ordinários.
Eros me acompanha.
Os deleites de Afrodite banham-me.


Tenho a impressão de que, ao alto, os deuses me elevaram.
Humana, a minha existência já não o é.
Projeto nos outros seres,
Que a mim fisicamente se assemelham,
Todo desejo recluso.
Desejo escondido de ao mundo me integrar.



Pobres criaturas que o gozo do infinito desconhecem.
Sobrevôo suas cabeças,
Mas, a mim, elas não percebem.
Tornei-me superior.
Superior na essência.
Superior nos desejos.
Superior em plenitude.


De repente, sinto um desfalecimento.
Minhas forças celestiais titubeiam.
Uma rajada morna agarra-me.
Incosciente, sinto meu corpo ao vulgar retornar.
Abro os olhos.
Ao meu quarto, retornei.


Os raios repousam quentes sobre minha pele.
Humano, vejo-me novamente.
Retornei à essência pobre de outrora.
Triste? Um pouco!
Normal? Jamais!


Apesar da aparente normalidade.
Mudei com o sonho.
Ao sonho me entreguei.
Dele, fiz-me.
Metamorfosei-me.
Dos deuses, a magnificência absorvi.
Sou homem, com ar de rei.
Pobre em matéria.
Rico em sapiência.
Aos outros, o mesmo sou.
Aos simples, simples sou.
Diferencial, para poucos.
Para muitos, desconhecido.


São nesses momentos de aparentes ilusões,
Que o mundo inteiro,
Apesar de limitado,
No infinito se transforma.
Mudei.
Sou homem,
Menino,
Louco,
Sábio.
Nada em tudo.
O seco nas águas.
O sol no frio.
O negro na neve.
O desejo no medo.
O único no vulgar.
Paradoxo sem fim.
Simplesmente, o Universo na Casca de Noz.



Davi Tintino Filho


10.05.2004.