sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

A Vida e a Morte...

Aproveitando o período de férias, estava assistindo a um filme, meio comédia, meio drama, o qual me rendeu boas gargalhadas (A força da amizade, com Kathy Bates e Jéssica Lange), quando foram levantadas algumas discussões sobre vida e sobre morte. Estes dois temas sempre me chamaram a atenção. Para muitos, a vida, o início de tudo. A morte, o término daquela. Outros creem, como os espíritas, que a primeira é apenas o início de muitas outras sucessões que assinalam o princípio de várias existências. Ainda para estes, a segunda consistiria numa passagem para um estágio superior, estágio este que se repetiria, caso o indivíduo que "morreu" não tenha cumprido, satisfatoriamente, a sua "missão" aqui na Terra. Contanto que o tenha feito bem, será "promovido" para um nível superior até que, finalmente, ganhará a redenção...

Para outros tantos, vida-morte são ações naturais que delimitam o início-fim de um conjunto de ações químico-físico-biológicas que caracterizam a trajetória do homem. Para estes, não há algo de sublime nestes limites, é apenas uma sucessão de encontro entre átomos que se agrupam, ao acaso, formando moléculas e, em determinado momento, formam, no momento da concepção, um indivíduo, o qual, depois de nove meses, poderá ver nascer o sol, transformando aquele monte de massa disforme, outrora no útero materno, num ser humano. Este, chegado o momento, passará a ter uma convivência social, além dos cuidados familiares. Escola, faculdade, trabalho, família do(a) noivo(a), colégio do filho... Até que um dia, depois de anos e anos labutando para VIVER, morre-se, simplesmente. E toda aqueles milhões e milhões de átomos voltarão para a Terra, adubando o solo, voltando a ser matéria orgânica.


São muitas as concepções que existem acerca desta notória polêmica. Aí estão muitas instituições a debater sobre quando começa a vida, quando ela termina (o meio jurídico que o diga!) quem pode determinar a morte, quando o homem deixa de existir, para onde é que ele vai (se é que ele vai para algum lugar, senão para baixo de sete palmos de terra...).

De um lado, estão os céticos, ateus, cientistas e todos aqueles que creem que a vida começa e termina, simplesmente, porque algo interrompe a movimentação dos átomos, das moléculas, ou, apenas, porque o tempo encarregou-se de envelhecer a matéria que constrói o corpo.

Do outro, estão os crentes, os que buscam a resposta para a vida humana. Estes acreditam numa força superior, que o fato de estarmos aqui é decorrente de algo ou alguém que está a olhar por nós, punindo-nos ou nos agraciando pelos nossos feitos terrenos. Neste ínterim, a relação vida-morte é expandida por diversas religiões que lhe acrescentam uma visão particular. Cristianismo, Islamismo, Espiritismo, Candomblé, todas elas diferenciam-se por motivos diversos, sejam eles as crenças em um único deus ou em vários; seja por crer que vida se prolongaerá após a morte (ops! morte não, passagem!), seja por imaginar a divindade como um cruel carrasco, que fará com que o mísero humano "queime para sempre numa pedra de mármore no inferno".

Na verdade, creio que metade de tudo isso não passa de meras conjecturas, de suposições infundadas, numa forma de, por algum motivo, alienar a grande massa. Sinceramente, minha relação com o desconhecido é bastante saudável. Não fico horas e horas tentando desvendar o que, humanamente, é impossível. Reconheço, contudo, que não me apetece o fato de passar toda a minha eternidade queimando sobre uma pedra de mármore quente (putz! mármore é muito caro, preciso de algumas pedras para a minha cozinha....).

Quando eu era mais jovem, tremia só em pensar que estava fazendo algo errado, que Deus, no alto do seu poderio, estaria anotando no Livro da Vida todas as minhas faltas, para que, quando chegasse a minha hora de partir desta para uma melhor (melhor nada, ficar queimando num lago de enxofre! Dizeres populares mais descabido ), São Pedro estaria na Porta do Céu me esperando com o Livro na mão, somaria os meus pecados e me mandaria de céu abaixo para o inferno. Falo isso num tom de galhofa, mas é verdade. Por um longo tempo, isso me tirava o sono. Hoje mesmo ainda preservo o medo de ir para o inferno. Reconheço, aqui, que sou cristão, creio em Deus, mas não o Deus-Carrasco, que puni, que chicoteia, preconceituoso, capitalista, que enche os cofres de uns em detrimento da falta de comida na mesa de milhões de outros. Temo a morte, temo a dor da morte, temo o que está por trás do muro alto e infinito que separa os vivos dos não-vivos. Sei que existe algo superior, além do firmamento azul vibrante, além do negrume amedrontador do infinito, além da perfeição arquitetônica das pétalas das flores, além do sorriso divino de uma criança, além do prazer extasiante que vem de momentos de amor... Não creio, como os céticos, que o fato de estarmos aqui, de habitarmos um planeta perfeito, seja obra do acaso, de uma explosão ocorrida há bilhões anos.

Sou um cara com um mundo de ideias próprio, que consegue aceitar a existência da concepção científica do mundo conjugada ao poder divino, na qual este possibilitou aquela. Não importa, na verdade, que nome se dá a esta força superiora: Deus, Acaso, Ciência. Creio no que toco, no que vejo, no que sinto, mas é, justamente, porque consigo tocar, ver, sentir, que creio em Deus. Em momentos de divagação, fico olhando o meu corpo, cade membro, cada órgão, cada lágrima que escorre, e vejo-me extasiado pela perfeição com que fomos construídos.

Quando alguém morre, o choro é garantido, principalmente, quando este alguém era uma pessoa boa, justa, amiga, companheira. Isso é normal. A dor da perda. Num instante, vê-se a pessoa viva, sorrindo, falando e, por alguma fatalidade, vemo-la estirada num caixão, sem vida, inerte. Isso causa dor, causa choro, derramam-se lágrimas. O fato de não mais vê-la, tocá-la é angustiante. Há culturas, porém, cujos rituais de despedida diferem-se do nossos ocidentais. Algumas comunidades celebram a morte, porque para os seus partícipes a morte é motivo de alegria, é o início de uma existência melhor.

Nós, ocidentais, fomos acostumados com a dor, com a visão de que o nascer e o viver são pólos antagônicos. Um traz alegria (nem sempre, ressalte-se!) e o outro a tristeza (idem!). Curto deitar no escuro, na praia à noite (de preferência pelado!) e ficar em contato direto com o cosmo. Fico imaginando que as moléculas que compõem o meu corpo são da mesma idade do início do universo. Quando eu morrer, os átomos que em mim estão, em breve, estarão fazendo parte da matéria de um outro ser, na árvore que dá bons frutos, no capim que será comido pelas vacas que, por sua vez, produziram o leite para saciar a fome dos pobres, estarão compondo os mecanismos eletrônicos dos computadores que movimentam o mundo.
Quem somos nós? Para onde é que vamos? Isso não importa, galera! O que, verdadeiramente, importa é saber que nós somos matéria cósmica, que estamos aqui desde que ocorreu o Bing-Bang, provocado pela bondade de Deus, do Acaso, do Caos. Viemos da mesma massa. Vida e Morte são detalhes que marcam apenas a transformação da matéria, a vinda ao mundo de diferentes formas, espécies, gêneros. Os meus dedosm que digitam o texto que, outrora, será lido por vocês, nada mais são do que matéria reciclada e transformada. Afinal de contas, o que importa é sermos felizes, enquanto humanos, fazermos felizes os outros, vivermos enquanto vida tivermos. O depois... bom, o depois , inevitavelmente, virá e, certamente, de um modo ou de outro todos voltaremos para mesmo lugar de onde saímos: do pó ao pó! Poeira cósmica e nada mais!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Hoje pela manhã!



Acordei, hoje, pela manhã, depois de um dia 31 de dezembro, em que sai com a família para jantar e mostrar às crianças as praças enfeitadas de Mossoró. Encerrei a noite tomando um espumante, fiquei meio tonto e acabei dormindo meio "chapado". Acordei às 9h30min, com o corpo extasiado, cansado, preguiçoso. Silêncio total. O mundo parecia domir. Ao longe, um cãozito latia. O quarto mergulhado numa penumbra gostosa. E um friozinho agradável proveniente de horas e horas de ar condicionado ligado. Fiquei ali, deitado, curtindo o momento, pensando nas provas da faculdade, que me deram trégua, no monte de assuntos os quais tenho que estudar para conquistar o meu lugar ao sol. O cenário era perfeito para que fosse criada uma canção ao estilo de Cazuza, de Renato Russo ou, até mesmo, de Chico Buarque. Estava, realmente, curtindo o momento e minha mente totalmente despida de qualquer pensamento negativo que tivesse me incomodado no ano que falecera.


Fiquei olhando para o teto e lembrei-me de uma pergunta que haviam me feito, horas antes da entrada do ano que estava por nascer. Indagaram-me sobre as metas que eu estabelecera, ainda em 2008, para o bebê 2009. Em um momento qualquer de minha vida, anterior ao que estou vivendo, responderia que estava cheio de projetos a serem realizados, que, certamente, buscaria mais reconhecimento diante da massa social, ou qualquer outra coisa do gênero que satisfizesse o meu eu-capitalista. Porém, com a força divina, tenho procurado fugir um pouco das amarras do nosso sistema, estúpido e fétido, e buscado, encontrar algo mais profundo e essencial para a minha vida.



Não nego a importância do dinheiro, não nego o seu valor e a necessidade de sua posse para se levar uma vida confortável, ajudar aqueles que precisam dele, não nego que gosto pra caralho de ganhar o meu próprio vil metal para usufruir um pouco (ou muito!) das benesses que ele pode proporcionar. O que estou querendo dizer, verdadeiramente, é sobre aquilo que, prioritariamente, deve se sobressair no que concerne às inúmeras necessidades do homem.



Hoje, prestes a completar meus vinte e nove anos, tenho vivido um momento de mais introspecção e tentado perceber o que realmente é mais importante para me fazer feliz. Não aquela felicidade da TV, dos filmes americanos, em que existem imagens padronizadas sobre o príncipe encantado, daquele amor idealizado, que atravessa milhares de provações, até que se consegue atingir o auge da felicidade, felicidade esta que não se acaba mais e que não é interrompida por nenhum infortúnio. Não falo desta felicidade!



Refiro-me a um estado, a uma conscientização, um tanto materialista, sobre como conduzir a vida para uma felicidade verdadeira, falível, como o próprio homem. Falo de uma felicidade consciente, de uma felicidade que nos permite viver e saber que existem momentos que nos proporciona o mais intenso dos sorrisos, da mesma maneira em que existem situações que fogem do nosso controle e provocam a mais aguda e profunda dor. É aí , exatamente, que quero chegar!



Hoje, pela manhã, quando me lembrei daquilo que me perguntaram, pensei que não estabeleci para o ano-neném a busca incessante pela felicidade holliwdiana. Já faz tempo que a descartei. Para este ano que se inicia hoje, busco um outro tipo de vida. Busco encontrar a felicidade que é possível ser alcançada, a essência do que pode realmente fazer um homem feliz. Para 2009, tenho alguns projetos, algumas metas a serem atingidas. Tenho que ler muito, estudar bastante. Ter um desempenho razoavelmente excelente na facul (sintam o paradoxo!), ser o profissional admirável enquanto professor! Tudo isso são metas, objetivos que podem ser alcançados por meio de bastante trabalho. Tenho, no entanto, sonhos que labutarei para consegui-los atigir. Amar e ser amado, preservar a pessoa maravilhosa que tenho, ser um bom filho, um amigo melhor, um irmão mais presente. São, justamente, estes sonhos, conjugados com as metas elencados que podem possibilitar que eu me torne um homem melhor.



Desejo, veementemente, conseguir atingir esse propósito de vida. Conseguir viver, dia a dia, sem cobrança desmedida para atingir metas sobre-humanas. Quero viver o presente, construir uma base sólida agora, dedicar-me ao momento atual, sem ficar com a cabeça nas possibilidades vindouras, no que poderá ocorrer amanhã.



Ontem ouvi uma frase numa música de Frejat que dizia, mais ou menos, assim, quando fala sobre o dinheiro: "tem-se que tirar um momento para saber quem é que manda: você ou o dinheiro", a frase não é, textulmente, assim, mas lembrei-me apenas de sua lição. Quero viver deste modo, reconhecendo a importância do dinheiro, lutando para ganhá-lo, mas não viver em sua função, ganhá-lo para viver e não o inverso.



Quero ser mais sincero e mais honesto neste ano que se inicia. Não que eu seja o mais corrupto e desonesto dos homens, não é isso! Não mandem que a Polícia Federal venha até minha casa para realizar uma busca. Longe disso. Quero apenas eliminar pequenos desejos e ações conspurcados de sentimentos ínfimos. Todos nós temos, mas poucos os reconhecem, principalmente, para si mesmos. Tenho alguns que preciso riscar do meu eu, do meu Id, Ego e Super-ego. Mas, não eliminar a todos, pelo contrário, quero continuar mais homem do que nunca, já que sem os Sete Pecados Capitais, a vida não teria tanta graça assim, além do mais não tenho vocação para santo (Deus que me perdoe...). Quero subjulgar apenas aqueles que me fazem perder o sono. Um deles estou conseguindo, mas não posso revelá-lo aqui, pois respeito as convenções sociais.



Quero fazer de 2009 uma longa estrada que, para ser percorrida, são necessários, exatamente, 365 dias, nem mais nem menos. É uma estrada, relativamente, longa. Quero percorrê-la, sem pressa, sem correr, contando os passos, desenhando os seus contornos, pintando de azul o céu, deixando a mata mais verde, a noite mais escura, o horizonte (dependendo do meu estado de espírito!) mais claro ou mais escuro. Eu sou o artista deste quadro multicolor, de várias texturas, onde podem aparecer alguns personagens coadjuvantes ou apenas para dar mais ênfase ao enredo Davi Tintino-2009. Alguns atores já têm lugar garantido, poderão contribuir para que o meu quadro se torne mais vivo, poderão sugerir nuances, mas, certamente, de uma coisa, não abro mão: a última demão de tinta serei eu quem dará! Até a próxima tela congnominada "Ano Novo"...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Aurora Fantástica

Hoje, meu sobrinho veio me pedir para que eu fizesse a troca das rodinhas de sua moto, que ganhara da mãe. Precisei de uma chave-de-fenda e fui em busca de um canivete. Quando o procurava, encontrei esta velha pseudo poesia. Como faz tempo que não posto nada, resolvi exibi-la, mas pretendo atualizar as minhas idéias. Ei-la:



Aurora Fantástica




Abro os olhos.
Os raios solares me embebedam de prazer.
Sinto um calor me invadindo.
Fecho-me.
Vejo-me no alto de um arranha-céu.
Olho o horizonte que à minha frente cresce.
Absorvo a brisa que me toca.
Respiro o doce cheiro da fruta madura.
Ondas de mormaços matinais percorrem-me o ser.
Entro em êxtase.
Sinto espasmos.
Atiro-me livre ao doce perigo.


Abaixo de mim,
Seres viventes correm em busca do nada.
Deslizo faceiro pelo infinito.
Nada me consome.


À minha volta,
Luzes douradas me celebram:
Sou único.
Nada me prende.

No meu acordar,
Subjulguei toda mediocridade.
O ódio, de mim se desprendeu.
A fúria mesquinha, que a todos engana, rejeitei-a.


Na cama,
Ficaram resquícios de sentimentos ordinários.
Eros me acompanha.
Os deleites de Afrodite banham-me.


Tenho a impressão de que, ao alto, os deuses me elevaram.
Humana, a minha existência já não o é.
Projeto nos outros seres,
Que a mim fisicamente se assemelham,
Todo desejo recluso.
Desejo escondido de ao mundo me integrar.



Pobres criaturas que o gozo do infinito desconhecem.
Sobrevôo suas cabeças,
Mas, a mim, elas não percebem.
Tornei-me superior.
Superior na essência.
Superior nos desejos.
Superior em plenitude.


De repente, sinto um desfalecimento.
Minhas forças celestiais titubeiam.
Uma rajada morna agarra-me.
Incosciente, sinto meu corpo ao vulgar retornar.
Abro os olhos.
Ao meu quarto, retornei.


Os raios repousam quentes sobre minha pele.
Humano, vejo-me novamente.
Retornei à essência pobre de outrora.
Triste? Um pouco!
Normal? Jamais!


Apesar da aparente normalidade.
Mudei com o sonho.
Ao sonho me entreguei.
Dele, fiz-me.
Metamorfosei-me.
Dos deuses, a magnificência absorvi.
Sou homem, com ar de rei.
Pobre em matéria.
Rico em sapiência.
Aos outros, o mesmo sou.
Aos simples, simples sou.
Diferencial, para poucos.
Para muitos, desconhecido.


São nesses momentos de aparentes ilusões,
Que o mundo inteiro,
Apesar de limitado,
No infinito se transforma.
Mudei.
Sou homem,
Menino,
Louco,
Sábio.
Nada em tudo.
O seco nas águas.
O sol no frio.
O negro na neve.
O desejo no medo.
O único no vulgar.
Paradoxo sem fim.
Simplesmente, o Universo na Casca de Noz.



Davi Tintino Filho


10.05.2004.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Quer casar comigo?


Antes de começar a escrever sobre o assunto a que me propus, inicialmente, quero pedir desculpas a todos os meus caros colegar de blogg. Não tenho tido tempo para realizar tal atividade, a qual me estima bastante, como já falara em outro título. Tenho estado, realmente, muito atarefado. Muita coisa para fazer, pouco tempo para me deleitar. É muito assunto da facul, muita prova para elaborar (tenho 13 na espera...), muito livro interessante para interpretar. Trabalho, trabalho, trabalho. E reconheço que tenho negligenciado um pouco as pessoas que esperam de mim mais do que trabalho, mais do que o Davi Tintino Profissional. Mas parece coisa de gente tresloucada: gosto dessa correria, dessa falta de tempo. Já ouvi um bocado de gente dizer que eu gosto de sofrer. Realmente, isso não é coisa de gente sã. Lembrei-me agora do silogismo grego e vou tentar construir uma máxima: Todo homem “curte” sofrer. Davi Tintino é homem. Logo, Davi “curte” sofrer. É mais ou menos isso aí. Curto a falta de tempo, correr de um lado para o outro, de fazer isso e fazer aquilo. A ociosidade me entedia. Não consigo ficar parado. Tenho que estar envolvido com algum projeto. Esse sou eu. Se isso é sofrimento, se isso é ser masoquista, então, eu sou com todos os predicativos negativos que me compõem. Destarte, peço desculpas por ser assim, por ser um animal capitalista, em busca do “vil metal”, como já dizia a saudosa Elis Regina. Faço, apenas, o que fazem milhões e milhões de pessoas: buscam um lugar ao sol, ou melhor, buscam um lugar para se abrigar do sol, deitado numa espreguiçadeira, em frente a um mar fabuloso, tomando uma bebida sugestiva e, certamente, ao lado de uma boa companhia (você sabe que é você!).
Busco uma vida melhor, viver bem, com os frutos de meu labor. Então, tomo de volta as minhas desculpas ditas acima, e, apenas, justifico a minha ausência. E, como estou aqui, demonstrar que não me esqueci de fazer isso: expor o meu mundo interior por meio de palavras. Estou aqui escrevendo, apesar de um monte coisa para fazer, mas, como sou filho de Deus, e Ele é a criatura mais rica do Universo, posso me dar ao prazer de “vadiar” um pouco.
Bom, mas voltando à minha intenção primeira, ao abrir o meu blogg hoje, digo que fiquei um tanto intrigado com um determinado assunto que descobri por estes dias, quando lia sobre Contratos. Há quem diga que o mecanismo contratual encontra-se em ares de extinção, passando por uma séria crise, doutrinariamente, chamada de “A crise dos contratos”.Fiquei espantado com tal posicionamento de algumas pessoas acerca da veracidade deste pensamento.
Olhei para todas as coisas que me circundam e notei o quão estamos mergulhados no cerne contratual. “Assinamos” contrato para tudo na vida. Para nascer e para morrer. E, principalmente, para continuarmos vivos. Creio, assim, que é meio precipitado afirmar que vivenciamos uma época marcada por uma crise nas relações contratuais.
Defender esse posicionamento é o mesmo que anular milhares e milhares de anos, desde quando abandonamos o estado de natureza, marcado pela selvageria, e passamos a viver sob o olhar constante do Estado, o qual surgiu, a partir da necessidade do homem de segurança e proteção,“assinando” um contrato, abrindo mão de seus “direitos”, quando em contato direto com a natureza, abrindo mão do "direito" de matar, de não ter trabalhar diariamente para garantir os seus meios de subsistência. Abriu mão de tudo isso, para poder viver com mais segurança e proteção, evitando, ao máximo possível, as surpresas que o estado de selvageria pregava. E, para poder usufruir de todas as benesses, teve que firmar um espécie de pacto, representado por todos os tipos de contratos, que coordenam as relações que se desenvolvem no bojo social, até os dias de hoje.
O ente estatal seria o elemento superior que concentraria as funções necessárias para impor ordem, criar regras, executá-las e punir quando estas fossem quebradas.
Segundo Thomas Hobbes, em sua obra-prima, o Leviatã, aduz-se que sem a presença desta entidade soberana, o Estado, o homem volta ao estado de primitividade, tornando-se sangüinário e egoísta.
Destarte, como vivemos numa sociedade marcada pelo regramento dos limites de cada um, de seus direitos e de seus deveres, e sob o julgo das leis punitivas, afirma-se, justamente, que a quebra destes pactos contratuais, estabelecidos no seio de uma sociedade, complexamente, organizada, como é a do ser humano, entornaria a ordem evolutiva do homem, enquanto "animal político", como já dizia o sábio grego Aristóteles.
Alguns doutrinadores defendem a idéia da derrocada do contrato em detrimento, principalmente, da alteração que tem sofrido um dos seus elementos essenciais: a autonomia de vontades.
Nota-se que, hoje, muitas sãos as instituições que condicionam a veiculação de seus produtos e serviços ao contrato de adesão, impondo ao outro pólo do negócio jurídico cláusulas que, em vários momentos, conspurcam o direito subjetivo privado de cada indivíduo, caracterizando as chamadas “cláusulas abusivas”. Esse é um dos argumentos daqueles que defendem tal linha de pensamento. Não podemos negar a existência perniciosa desse tipo de contrato, uma vez que, diariamente, somos obrigados a acatar determinadas imposições contratuais, sob pena de ficarmos privados de produtos e serviços, indispensáveis para a subsistência do homem.
Pode-se, contudo, perceber que o ordenamento jurídico de um Estado está em constante transformação, a fim de acompanhar a movimentação social. As necessidades humanas modificam-se com o tempo, haja vista que o homem é um ser que evolui, não somente em aspectos físicos, como a ciência já demonstrou, mas, antes de tudo, como um ser que modifica o seu modo de pensar e agir e, conseqüentemente, a forma como gerencia as suas relações sociais.
Deste modo, o Direito Positivo procura atualizar-se quando das modificações relacionais em sociedade, buscando amenizar os impactos provenientes de tais mudanças. A título de exemplo, observe-se a criação do Código de Defesa do Consumidor - CDC, desenvolvido, basicamente, para coibir abusos advindos de relações onerosas ou, muitas vezes, desumanas para alguma das partes, geralmente, a mais frágil, que é a do consumidor. As cláusulas abusivas vêm sendo analisadas à luz do Direito Moderno de modo a garantir a observância dos princípios constitucionais e dos valores presentes em seu Preâmbulo. Assim, in verbis:

"Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL". (destacou-se!)

Ao longo do texto constitucional, notamos que há um gritante cuidado em nortear, pautados nos princípios e valores que da Lei Maior, os “operários” do direito, (designação, conforme o professor e juiz da Comarca de Mossoró, Herval Sampaio Júnior, para aqueles que trabalham com o Direito), quando na função de interpretar e aplicar a norma no caso concreto.
O CDC, por exemplo, encontra-se mergulhado no princípio constitucional da isonomia e buscando tratar de forma igual os iguais e, de modo desigual, os desiguais, assegurando-lhes o respeito aos seus direitos, com efeito erga omnes. Assim, conforme a própria Lei, no seu artigo 1º, textualmente:

"Art. 1º - O presente Código estabelece normas de proteção e defesa de consumidor, de ordem pública e interesse social, nos termos do artigo 5º, inciso XXXII, 170, V, da Constituição Federal e artigo 48, de suas disposições transitórias".

O Código Civil de 2002, também, já no artigo 5º, da Lei de Introdução ao Código Civil, apregoa, teleologicamente, como a lei deve ser aplicada, no organismo social, verbis:

"Art. 5º Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem-comum. Vale ressaltar que, atualmente, todas as searas do Direito, inclusive, o Código Civil, na parte de contratos, visa ao controle das relações contratuais, calcado no princípios da Constituição, conforme o civilista Flávio Tartuce, citando Cláudia Lima Marques (2008, p.37),
A convergência de princípios e cláusulas gerais entre o CDC e o CC/2002 e a égide da Constituição Federal de 1988 garantem que haverá diálogo e não retrocesso na proteção dos mais fracos na relação contratual. O desafio é grande, mas o jurista brasileiro está preparado”.

É notória a necessidade de se seguir os princípios constitucionais, os quais são indispensáveis para que o contrato, enquanto elemento que possibilita o desenvolvimento de relações civis e consumeristas, efetive-se. Temos consciência de que os valores e princípios que emanam da Lei Maior estão prontos para entrar em ação e garantir que os contratos são essenciais para a vida em sociedade, embora, na maioria das vezes, eles sejam negligenciados e ignorados. Reconhcemos, todavia, que, sem eles, a vida organizada que temos hoje viraria caos.
Inconscientemente, vivemos rodeados por relações sociais. Desde um saquinho de pipoca que compramos até o pagamento de um seguro para efeito pós-morte, há a presença do contrato. Sem ele, não se poderia nascer nem morrer, ao menos de forma digna. Soa leviano prever o fim dos contratos nas sociedades humanas organizadas. Pode-se, sim, haver uma crise no sentido de estruturação e adequação das leis contratuais a tais elementos.
Muitos que detêm o poder de movimentar as leis ainda eximem-se de levantar os olhos do texto morto da lei ordinária ou complementar e vislumbrar a gama de orientações principiológicas e valorativas que vem da Constituição.
Assim, caso reconhecêssemos o fim do contrato, reconheceríamos, também, a inépcia dos poderes que sustentam o Estado Democrático de Direito. Sem ele, ações corriqueiras como nascer, casar, morrer tornar-se-iam árduas, para as partes no que concerne aos seus direitos e deveres, frente à comunidade social. Para um filho que nasce e que, por direito, é herdeiro de um seguro pós-vida efetuado pelos pais com determinada empresa de seguros. Um ancião que, à beira da morte, tem consciência de que não terá um final digno porque o contrato que havia entre o Estado e o único hospital de sua cidade desfez-se e, como conseqüência, o dono da instituição não mais sabe como irá gerenciar a relação jurídica com o ente estatual. Para um casal de namorados que espera, ansiosamente, pela efetivação do matrimônio e, que de uma hora para outra, sabe que o contrato matrimonial não mais existe, imprimindo insegurança até mesmo na hora do tão sonhado “quer casar comigo?”.

domingo, 26 de outubro de 2008

De Menino a Homem...


Que tarde preguiçosa! Tentei dormir, mas o mormaço da tarde escaldante de Mossoró não colaborou com o meu intento. Levantei-me e vim para a frente do PC ver se consigo produzir algo útil ou fútil, mas algo. Comecei a pensar no passado e a relembrar das minhas "tias" de quando eu era moleque no colégio. Fiquei nostálgico, um tanto melancólico. Fiz, mentalmente, uma lista das minhas professoras do primário e lembrando os nomes, características físicas e psicológicas de cada uma delas - Tia Maria José, baixinha a quem os colegas chamavam de Cocada; Tia Madalena, morena da cor linda, quase uma senhora, calma e atenta às perguntas dos pirralhos (creio que a primeira professora que me fez gostar de Português. Foi com ela que acertei a primeira palavra num ditado de palavras – “palhaço” era a palavra...); Tia Maria José (outra, mas muito diferente da primeira...), era brancona, meio gorda e com cara de má, meio gasguita, tínhamos medo dela, mas era uma pessoa boa e atenciosa. Esqueci-me de dizer que antes da segunda Maria José, tive como professora a Tia Alvanir. Pessoa extremamente doce, mas que teve que deixar a sala de aula porque não tinha mais voz para lidar com crianças traquinas. Isso ocorreu em 1989, quando eu fazia a terceira série. Trabalha até hoje na secretaria do mesmo colégio... Pessoa linda de viver! Em seguida, veio a Tia Elizabete. Uma jovem franzina, com um sinal de carne do lado esquerdo, formando um ângulo com o encontro dos lábios e a ponta do nariz. Cabelo negro, encaracolado, na altura dos ombros. Usava sempre a roupa passada, tinha a voz doce e estava noiva. Lembro-me de que eu ficara extremamente triste quando soube que ela ia se casar. Foi a minha primeira paixão por alguém com mais idade do que a minha. Na época, foi criado, no colégio, o Correio Escolar. Escrevíamos a quem queria e a direção encarregava-se fazer a entrega, semanalmente. Revoltado, escrevi para a tia e disse-lhe que não queria que ela casasse, que o noivo dela não era bom o suficiente e, tantos outros ultrajes que fico ruborizado apenas de lembrar. Ela, com uma letra linda, respondeu-me tentando acalmar-me, dizendo que amava o namorado, que eu era um garoto lindo, inteligente e que um dia eu iria entender do que ela estava falando. Fiquei várias semanas com vergonha de olhá-la nos olhos. Até hoje, tenho uma outra carta (uma das várias que ela me respondeu, das muitas que lhe mandei...), na qual ela diz que eu era um garoto atencioso, inteligente etc, etc, etc.
O tempo passou, cheguei à quinta série. Quinta série “A”. A sala dos inteligentes. Foi nesse ano em que descobri os sabores do pecado. De ir ao colégio e matar aula. Alguns colegas (Evandro, Romildo, Fábio, Gentil...) e eu pegávamos o ônibus circular (não pagávamos passagem...), rodávamos pela cidade e ficávamos sentado na praça do Museu Municipal. Quando dava o horário do término das aulas, pegávamos o mesmo ônibus e voltávamos para casa. Isso durou o ano todo. E como não existe crime perfeito, cheguei ao final do ano e fiquei de recuperação em Inglês e em Matemática. Passei na primeira, mas na segunda não deu. Fiquei reprovado. Mãe descobriu e eu disse para ela que não fosse nem pegar o resultado, pois já tinha consciência do ocorrido. Ela não brigou, não me bateu. Mas percebi por seu olhar o profundo grau da decepção. Eu sempre, até então, um aluno exemplar, assíduo, pontual, exigente comigo mesmo. Porém, naquele ano, senti uma vontade de fazer diferente, de ser diferente. Percebi no olhar de minha mãe uma decepção tão profunda, que me senti horrivelmente mal. Vi todos os colegas indo para a série seguinte e eu ficando. Sendo deixado para trás pelo bonde dos meus. Repeti a série, vi tudo que deveria ter visto no ano anterior, mas por inépcia tão somente minha não vi. Em 1992, repeti a série que seria para mim, a mais importante de todas. Passei em todas as matérias no terceiro bimestre (inclusive Inglês e Matemática!).
Naquele ano, nasceu um novo Davi Tintino. Desde aquele momento, eclodiu em mim a vontade doida de ser diferente, de provar para todos os outros que eu podia fazer diferente. 1992 foi um marco em minha vida. Já parei e perguntei-me, infinitas vezes, que, se fosse possível voltar os ponteiros do relógio da vida, se eu pudesse retroceder ao momento em que pela primeira vez subi no ônibus para burlar aula, se eu faria diferente. Sempre me respondo que não.
Naquele momento fui inconseqüente, fui irresponsável, brinquei com a matéria-prima do meu futuro. E a obra não foi concluída. Descobri-me naquele momento, um garoto extremamente capaz de mudar o seu pequeno mundo. Desde aquele ano até a minha entrada na primeira faculdade, fui chamado de todos os vocativos que atingem um aluno aplicado. Nerd, CDF, lesado, falante... Esses nomes passaram a substituir o nome com o qual fui batizado. Passei de inconseqüente a inteligente em menos de um ano.
A primeira vez que “estudei” a quinta série foi muita boa. Porque naquele ano, senti o gosto de pisar no terreno perigoso do erro. Um caminho que, muitas vezes, não tem volta. Caminhei um ano por ele, senti os prazeres do perigo, brinquei com obscura mão do proibido. Mas voltei!
De 1991, ano de minha reprovação, até 2008, ano em que, graças a Deus, todos nós encontramos, lá se vão 17 árduos, felizes, sofridos, perigosos, reveladores, tensos, prazerosos anos. Neste 17 anos, o Davi que vos fala transformou-se. Virou adolescente. Ficou com o rosto cheio de espinhas. Fiquei órfão de pai vivo. Revoltei-me contra ele. Perdoei-o. Virei homem. Descobri um pouco sobre a vida. Desejo descobrir muito mais.

Hoje, ganho dinheiro tentando ensinar, por meio das sofridas regras gramaticais, um pouco sobre a vida para pessoas que se encontram numa fase difícil para a maioria dos seres humanos: a adolescência. Hoje, vejo, durante as manhãs e as tardes, dos meus estressantes dias, o mesmo que vi em mim quando eu tinha a idade dos meus alunos.
Não me arrependo de nada que fiz. Arrependo-me do que deixei de fazer. Com os meus erros, construí os meus acertos. Com as minhas lágrimas, umedeci a pele. Reguei meu coração. Usei para preparar o cimento para erguer as paredes do meu castelo. Detalhe: o meu castelo ainda não está pronto e creio que ainda virão muitos anos para deixá-lo do jeito que quero.
Hoje estou aqui, “falando” para vocês, mas olhem para mim, olhem para as pessoas ao redor de vocês e se vejam daqui a 17 anos. Perguntem-se o que vocês querem para vida de vocês. Estabeleçam metas. Desenvolvam objetivos. Sonhem!
Não deixe que as memórias boas nem as ruins se apaguem de suas lembranças. Lembrem-se sempre das tias do primário, dos professores do ginásio, dos estresses do pré-vestibular, do primeiro amor, da primeira decepção amorosa... Não procuremos fazer da vida sempre algo perfeito, sem dor, sem sofrimento, pois isso não depende apenas de nós. Depende de muitos fatores, que estão além das nossas forças. Vivam simplesmente. Façam o que for possível fazer. Em alguns momentos esperem pelo empurrãozinho dos Céus. Mas vivam, vivam intensamente. Usem todos os sentidos para viver o mundo. Usem a inteligência para programar uma vida confortável. Usem o coração para sentir que a vida sem emoção não tem graça alguma. Vivam com um pé no chão e o outro no ar, sempre procurando equilibrar-se, pois a vida é um espetáculo, comparado aos mágicos passos do balé...



sábado, 25 de outubro de 2008

Separado é tudo junto e tudo junto é separado.... Por Dickson Melo

Hoje, está sendo um dia atípico. As palavras que serão mostradas em seguida são fruto da mente prodigiosa de um cara que aprendi a admirar durante este curto espaço de tempo que é 2008 - Dickson Melo, namorada de uma garota fabulosa por quem tenho, também, imensurável, apresso. Ultimamente, tenho tido uma vida corrida, estressante... MAGNÍFICA. E por isso, não tenho postado diariamente. Mas sempre que dá, venho aqui discorrer sobre algum assunto que está "friviando" em minha mente. Hoje, contudo, temos a estréia do garoto, supracitado. Dickson discorrerá sobre um tema um tanto espinhoso, já que é algo relativo, que nos incomoda, mas que existe e está aí, em nossas vidas, na nossa casa, na casa do amigo, do vizinho... no olhar perdido de um estranho. Li o texto de meu "pupilo" e confesso que mais uma vez me surpreendi com a sua maestria com as palavras. Vejo, sempre, naquilo que ele escreve. Com vocês, o nosso estreante...
* * *
"Tratar da solidão para mim, é mais difícil do que tratar sobre o amor, porque por muito tempo eu estive só, sem perceber, e me dói um pouco falar nesse assunto. Mas eu me comprometi a escrever o sobre o tema que fosse dado, e o farei!
Enquanto seguia meu caminho de todas as manhãs, lembrei de que todos os dias um amigo me acompanhava nesse percurso, Pedro Júnior. Não estamos mais indo juntos porque agora eu estou indo mais cedo, e ele continua indo um pouco mais tarde. Daí comecei a refletir o quanto me sentia sozinho, indo todos os dias para o colégio, mergulhando tão profundamente em meu próprio pensamento, que, às vezes, nem notava o quão chato era a ida sem ele. Era sempre melhor, a gente conversava muito, e, às vezes, a gente andava até um pouco mais devagar para continuar a papo... Bons tempos.
Então mais uma de minhas teorias invadiu minha cabeça: eu não estou só, nem quando estou só. Um paradoxozinho que dá para se entender só colocando a “massa cinzenta” para trabalhar um pouco. Mas vou tentar explicar o que eu quis dizer...
Quando eu estou na minha cama, pronto para dormir, sentindo apenas o silêncio à minha volta, eu e a escuridão, não estou completamente sozinho, porque para mim, e creio que para a maioria das pessoas, está sozinho é não ter ninguém por perto. E quando você tem amigos, quando você os ama, e eles também o amam, eles estão perto de você todo o tempo. Estão vivos na sua memória! Um telefonema, ou até mesmo só em se imaginar falando com eles, pode fazê-lo melhorar de uma tristeza. Claro que nada substituirá uma conversa pessoalmente, olho no olho, mas melhorará, porque há uma conexão entre duas pessoas que se gostam, há um fiozinho que ninguém vê, que o faz se comunicar com a pessoa que você mais quer naquele momento. E poderia estar rodeado de milhões de pessoas, mas ainda sim, se não tivesse ninguém que o amasse, você estaria só...
Solidão de verdade é quando nem mesmo você se dá conta de que está só. É quando você se ilude, pensando que tem amigos e depois percebe que os únicos que se importam com você de verdade são seus pais. Essa é a pior solidão, porque quando se descobre que está sozinho, que tudo que você pensou, passou, falou, escutou, não passava de uma ilusão, e não teve importância para quem você confiava, e acreditava piamente que era seu amigo de verdade. O choque é inevitável. E sua mente invadida por sentimentos tão horríveis, contra si mesmo, que até parece um choque de verdade! É um ataque nos nervos que chega a atingi-lo até fisicamente. Você se transforma em algo totalmente diferente, seu cérebro começa a funcionar de outra maneira. E o mundo não será o mesmo para você... E você não será o mesmo para o mundo.
Acho que no mundo de hoje, as pessoas e, principalmente, os adultos mais normais, mesmo que tenham tido amigos na adolescência, dependem da família para passar por um mau momento. Porque todos os outros já tem problemas demais para se preocuparem, ou, simplesmente, não querem se preocupar com um amigo, por estar com pressa para ir ao trabalho, ou mesmo para dormir.
O interessante é que quanto mais o tempo passa, o mundo vai ficando mais quente, só que acontece totalmente o contrário com as pessoas... Elas vão ficando mais frias. As pessoas não vão mais a uma praça, a uma festinha do vizinho, para torcer pelo Brasil ma TV de 20 polegadas do bar. Mas também, para que não é? Um cara compra uma TV de 50 polegadas e fica em casa adorando aquela coisa gigante. E em jogo importante chama os mais chegados para assistir e ao mesmo tempo se exibir.
Gostar de outra pessoa e demonstrar esse sentimento têm sido, nos tempos de hoje, uma tarefa difícil. Mas por quê? Será mais fácil dizer que odeia alguém? CLARO QUE SIM! É muito mais fácil você magoar alguém dizendo que a odeia, do que dizer que a ama, e correr o risco dessa pessoa te magoar profundamente. Só que a vida sem riscos não teria graça, a vida sem amigos, sem as pessoas que você não conhece ainda, seria mais monótona do que ventilador no um. O população não sente mais aquela emoção de cada dia não saber o que pode acontecer, a adrenalina de amar! Apesar de sempre dizerem que está tudo uma bagunça, a vida está completamente organizada! Organizada do pior jeito! Mas está!
Assassinatos: acontecem todos os dias. Roubos: acontecem todos os dias. Seqüestros: acontecem todos os dias. Estupros: acontecem todos os dias. Trabalho: tem todos os dias. Amor a si mesmo: muito difícil, só quando acreditam ter tido um contato espiritual com Deus quando vão à igreja trimestralmente.
Está faltando amor no coração! Você precisa aprender a se completar. Precisa aprender a não precisar de outra pessoa para ser completo. Tem que saber que sua felicidade tem que depender apenas de si mesmo! Não estou dizendo para viver sempre sozinho, sem ninguém, porque você já está completo. Os que forem seus companheiros serão um suplemento gigantesco! Que o fará se sentir transbordado! Será uma explosão de felicidade em seu corpo, mente e espírito! Porém, se você não está completo por si mesmo... Podem vir tantos amigos quiser, e eu lhe afirmo que você nunca estará tão feliz como você estaria se já estivesse completo.
Como se completar? Não sei, eu estou quase conseguindo isso, mas ainda não peguei a manha, quando conseguir... Eu vos direi. Agora eu vou acabar com por aqui, porque já são 12h30min e minha mente está dizendo que ir dormir é uma ótima idéia, e meus fantasmas vão me fazer companhia.

Peço perdão pelos erros imperdoáveis".

Bom, meu caro Dickson, espero que daque a alguns anos nós nos sentemos à uma mesa de um restaurante, bar ou lanchonete qualquer, e possamos parar para pensar sobre estas suas palavras e sobre as minhas e notarmos a quanto anda a solidão no mundo e em nós mesmos. E, a propósito, não se preocupe com erros imperdoáveis. Eles não existem! Seja feliz, irmão!

domingo, 19 de outubro de 2008

Eros e Vênus...

Por estes dias, durante uma aula, surgiu uma animada discussão acerca do que seria o AMOR. Vários tentaram exemplificar; alguns, conceituar; mas a maioria resguardou-se ao silêncio. Se por um lado, reconheço que é um tema profundo, digno de ser discutido e opinado pelas grandes mentes da história, como Aristóteles, Platão, Álvares de Azevedo, Sigmund Freud etc, etc, etc... por outro, acredito que os corações mais singelos são os mais aptos a se embrenharem por este vale nebuloso, que todos já sentiram, muitos vivem, alguns ainda não conheceram, mas que, certamente, toda a humanidade daria (creio que a vida!) para, ao menos, por alguns minutos, sentir-se inebriada por esse vinho agridoce, que consome todo o ser, penetra na pele, chega ao coração, mexe com todas as glândulas do organismo, acelera a pulsação, e, o mais sério de todos os sintomas, afeta o sistema nervoso central, desregula o cérebro, tira a razão. Já li, por aí, que muitos cientistas têm procurado explicá-lo por meio de testes em laboratórios. Procuram medir a intensidade da alguns hormônios no organismo daqueles que se dizem amando. Quando percebem que determinada secreção em determinado indivíduo é mais intensa do que em outros, aí dizem que este ou aquele realmente sente amor. Tudo especulações! Aristóteles e Platão, certamente, saberiam dizer o que seria o AMOR pela ótica do intelecto, pela filosofia grega, pelo poder das divindades pagãs politeístas. Álvares de Azevedo, mergulhado em seu Mal-do-Século descreveria-o como sendo o mais terríveis dos sentimentos, aquele que subjuga ao fundo do poço, que humilha, que corrói o interior e faz o corpo "doer sem sentir dor", como já dizia o famoso poeta lusitano Camões. Sigmund Freud, o precursor da psicanálise, diria que o AMOR está diretamente condicionado à expressão do mundo inconsciente, do estado salutar em que se encontra o mundo interior do indivíduo. Diria que somente se pode amar alguém quando somos capazes de, a priori, amarmos a nós mesmos. E muitos, e muitos, e muitos outros, antigos, medievais, modernos, contemporâneos e pós, tentaram, tentam e muitos ainda tentarão definir esse sentimento que vira a cabeça, que dilacera a alma, que constrói mundos, que destrói lares, que diz ao homem o momento certo de se entregar, mas que engana muitos outros, fazendo-os perder o equilíbrio e derrapar na longa estrada da perdição... Aqui, em frente ao PC, fico imaginando o que seria o mundo sem AMOR, sem a dor que ele causa, sem a alegria que muda a rotina dos solitários, que faz com que muitos se embriaguem no seu doce e ácido sabor, que planta flores, mas que seca jardins, outrora floridos... Alguns experts no assunto dizem que existe apenas um único tipo de AMOR. Que somente amamos uma vez, uma única pessoa. Que tolice, com todo o respeito que as partes merecem!O AMOR é multi, transforma-se, amadurece, corrói-se, rejuvenesce, mingua... MORRE. Acredito piamente que o AMOR é forte. Forte o suficiente para durar por toda a vida (e além dela!); defendo, contudo, a espinhosa idéia de que, paradoxalmente, ele é FORTE e FRÁGIL, a um só tempo. Li, certa vez, em certo lugar, num dia qualquer (creio que na obra de Machado de Assis) algo sobre o AMOR. Dizia-se que esse sentimento é como a chama de uma vela, capaz de causar estragos inimagináveis, destruir vidas, destruir o mundo. Mas dizia-se que esse dragão em miniatura pode esvair-se a um pequeno sopro, a uma leve brisa que entra sorrateiramente pela fresta de uma janela esquecida aberta. O AMOR é sublime, vigoroso como um Sansão. Hercúleo, como um deus. Forte, como uma rocha. Mas, inegavelmente, delicado como uma gota de água que cai no chão escaldante do Deserto do Saara, quando o Sol está a pino. Como uma planta que necessita, diariamente, ser regada, porque senão mingua diante da força dolorosa dos raios solares. É algo impossível de ser conceituado por meio de palavras humanas. Por meio de prosas e versos. Por meio de cenas dantescas da Sétima Arte. Tudo o que vemos e ouvimos sobre o AMOR não é o seu conceito. Não é a sua fórmula. Não é o que pensa a ignóbil e esnobe sabedoria humana, que tenta, através do cientificismo, explicar o que seria esse sentimento que se confunde com a própria gênese humana.
Dizem que o homem é fruto das mãos divinas, dizem que o homem é superior sobre os outros animais, não porque pensa, porque raciocina, porque constrói teorias, porque arquiteta o mundo, mas dizem (e concordo plenamente!) que o homem é homem, porque, na sua racionalidade, entrega-se, de olhos fechados, ao mais simples, complexo, irracional, destrutível, árido, fértil dos sentimentos. O AMOR é tudo e é nada. O AMOR não se explica, não se conceitua. O AMOR apenas existe. Tudo que se tenta dizer sobre ele são especulações. São exemplos daquilo que se sente quando se ama. O AMOR é divino porque nos faz sentir divinos. Faz-nos pensar que podemos tudo, e o melhor, nós conseguimos.
Viva a ele que nos monta, que nos desmonta, que nos faz rir, que nos faz chorar. Que diz por onde devemos ir, que nos diz que, apesar da escuridão, devemos seguir em frente. O AMOR provoca isso. Enquanto não consigo conceituá-lo, vou amando e sendo amado. E se um dia, eu conseguir defini-lo, provavelmente, morri, e chegando aos Céus, papeei com Deus e ele me deu a definição sobre essa palavra que, na Terra, faz o homem pensar que é Deus e “chorar sem sentir dor”...