quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Quem mais resistirá: Natureza ou Homem?

Hoje, 13 de janeiro de 2010, mesmo com preguiça, não me contive e vim aqui falar um pouco sobre um fato dramático que tem acometido o eixo Rio-São Paulo. Chuvas torrenciais que, seguindo o seu curso natural, têm sido motivo de centenas de mortes.
Emocionei-me, vendo o resgaste, com ares de filme de Hollywood, de uma mulher que se viu presa em sua casa, sendo esta, violentamente, tragada pela fúria bela da correnteza da água, que rolava em abundância. Seguiram-se cenas em que pessoas choravam desoladas pela perda de familiares. Uma moça, coitada, perdera 15 familiares de uma só vez.
Fiquei triste na hora por motivos vários: pela tragédia em si; pela dor dos que vivenciam o caos; pelo sensacionalismo desmedido com que a mídia sempre transmite a dor alheia; e pelo descaso com que todos nós estamos lidando com a Natureza.
A tragédia, segundo depoimento de um jovem capturado pela lente da câmera, diz não acreditar estar passando por tudo aquilo, como se as pessoas somente acreditassem que aquilo fosse possível nos filmes. Vendo e ouvindo aquele rapaz, sofri pela ilusão em que vive a maior parte das pessoas. Pessoas que pensam, às vezes para sofrer menos, que o trágico, o dramático apenas acontece com os outros, com a sosciedade, como se nós não fossêmos a sociedade, como se os outros fossem um categoria distante da qual nós nunca faremos parte. Ser o outro e ser o eu são posições que se relativizam à medida que fomos vivendo e nos transformando em animais sociais e políticos. A tragédia em si traz um ar de que algo poderia ter sido feito para evitá-la, mas que por descaso de alguém...
O telejornal a que assisti resolveu preparar uma edição especial para cobrir a tragédia. E de tudo, o que mais ficava em evidência era a dor, o sofrimento, a desilusão. Uma das matérias apresentada por Evaristo falava sobre a solidariedade. Solidariedade de desconhecidos para com a dor de desconhecidos. A matéria suscitava discussões acerca de motivos que levam pessoas a ajudarem pessoas mesmo quando estas são anônimas. Realmente, fiquei com um nó preso na garganta quando vi pessoas cobertas de lama tentando encontrar parentes de outras, como se embaixo de todo aquele barro molhado se ouviesse o pulsar da vida. Já me perguntaram certa vez, o que mais me emociona. E repito aqui o que disse outrora: a solidariedade é o que me faz o coração realmente tremer e suspirar, fazendo verter lágrimas. Sei que a TV tem como princípio básico a busca extremanda pela audiência, subjulgando muitas vezes, valores e aspectos morais que são essenciais para a harmonia social.
Mas, na TV, infelizmente, principalmente, hoje, é raro ver programas e personalidades realmente comprometidas com as causas sociais, sem que se busque com isso, a autopromoção. Bons tempos em que, aos domingos, a família reunia-se para assistir ao Programa Porta da Esperança, tão bem apresentado por Sílvio Santos. A década de 80 era rica e foi, certamente, uma época de ouro dificilmente de ser repetida. Graças a Deus que vivi e senti aquele tempo mágico em que ser feliz era simples e não se precisava de tanta parafernália eletrônica para se comunicar. Havia mais contato e menos contrato com os outros. Mas, voltando ao foco: a TV hoje, apesar da subversão de valores, ainda tem espaço para o bem, para a solidariedade. Aproveito esse espaço para parabenizar um cara que sabe fazer o bem, de modo simples, que aproveita o espaço que lhe é concedido na mídia e faz aquilo que muitos poderiam e deveriam fazer: ajudar aos que são esquecidos, aos que, por erros dos outros ou de si mesmos, não tiveram a oportunidade de conseguir motivos simples para sorrir e para chorar (de felicidade...). Luciano Huck... Sem mais palavras. Creio que a TV pode explicar aquilo que prefiro guardar.
Diante de tudo isso, resta-nos falar sobre a tragédia, sobre a dor, sobre a solidariedade, sobre o descaso. Descaso, creio eu, motivo primeiro e último para fenômenos desse tipo, que assolam o homem e o seu espaço de modo tão rápido e impiedoso que choca pela fúria e pela potência.
O descaso é em primeira e em última estância o motivo gerador do caos a que assistimos no nosso cotidiano. É triste ver o sofrimento de nossos pares. É doloroso saber que nós humanos, apesar da nossa técnica e avanço científicos estamos suscetíveis aos transtornos dessa ordem. Mas o pior de tudo é saber que o homem, em toda a sua potência, não reconhece a onipotência da natureza.
Nessa tragédia toda, deveríamos tirar lições, aprender que medir forças contra a natureza é uma batalha perdida. Tenho consciência de que os que mais perdem, em termos concretos e racionais, são aqueles que perderam suas famílias, suas pobres casas, que perderam a sua dignidade, tão difundida nas leis, na própria Constituição Federal de 1988. Perder o lar e perder aqueles que ocupam o lar é trágico, é triste, é doloroso.
Sei que um bocado de gente pode estar pensando, ao ler, isso aqui que é fácil estar em frente ao computador, no enxuto, com comida na geladeira, com uma cama quentinha e aconchegante para dormir, ao invés de estar no umidade, no frio cortante, com o estômago vazio e o coração em pedaços.
Sei que estou num momento privilegiado, mas sei também que, conforme preceitua pensamento de algum filósofo, é na dor que aprendemos. E é nesse momento que sinto vontade de expor a minha angústia diante de tanta indiferença do homem com ela, com a natureza. Com ela, da qual fazemos parte, da qual viemos e para qual voltaremos. Vendo as imagens da água descendo aqueles morros, fico imaginando há quanto tempo essa cena não se repete: há milênios que aquele monte está ali, que em épocas de chuva, aquela água desce tranquila e violenta trazendo terra, trazendo pedra, fazendo lama, conduzindo a vida. E o homem, onde fica o homem nessa história toda? O homem veio muito tempo depois e começou a destruir a mata, derrubando árvores para constrir casas e foi ocupando o lugar das árvores, o caminho por onde a água corria há milênios.
Em todos os telejornais, convidam-se doutores em geologia, em meteorologia, em engenharia dos solos... para que possam discorrer sobre o óbvio. Por que há tantos alagamentos em cidades como São Paulo? Ora, porque o rio já estava lá há milênios, o rio ganhou nome de Tietê mesmo antes de espécie humana pensar em andar por estas paragens. Todo aquele lugar onde a água do rio chega quando chove e inunda é dele, é do rio que, há milhares e milhares de anos repete a mesma ação. Será que esse povo todo sabe o que vem a ser "leito do rio"? Será que o homem não pensa que agredindo a natureza ele está se agredindo? Será que não sabe que a natureza não precisa de muito esforço para demonstrar o quanto ela é poderosa?
O título desse texto indaga sobre quem resistirá nesse combate com final certo: natureza e homem estão em um tabuleiro. O homem tem agredido. A natureza tem se mantido silenciosa na maior parte das vezes. Porém, quando menos se espera, ela, com a sua calma natural, faz aquilo que há tempos vem fazendo: simplesmente é ela mesma.
E o homem? Bom, esse fica a discutir, a falar, a buscar explicações óbvias, constrói, destrói, ergue, derruba. O mundo pode até ser destruído pela maldade. Isso mesmo: pela MALDADE do homem. Chora-se porque muita gente morreu com as ações da natureza. Mas não se percebe que destruindo a natureza, ela apenas dar a sua resposta.
Imaginemos o planeta Terra explodindo. A natureza morreu? De forma alguma! A natureza não morre. A natureza é energia divina. E essa energia apenas se transforma em mais energia. E no final das contas, onde estaria o homem depois dessa pretensa explosão? A resposta também é óbvia: o homem morre no final dessa história humana, mas a sua matéria transforma-se em energia e a natureza... bom, a natureza continuará propagando a sua força. No final dessa guerra, tomemos consciência, porque a natureza nunca perde...

P.S. Desculpem os prováveis desvios linguístico-gramaticais, mas pelo menos aqui não tenho paciência para revisar...
(Imagens colhidas na Internet)




sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

OS DEDOS!

Olá, turminha! Voltei depois de muito tempo distante deste espaço que serve, a um só tempo, como refúgio e instrumento de expressão da parte mais profunda de mim e que apenas vem à tona por meio delas, sem as quais não consigo expulsar aquilo que, ora me aflige, ora me consome, ora me eleva aos céus, ora me faz se forte. Elas. Elas. Elas... as PALAVRAS, tal qual a larva que sangra do ventre da Terra.


Gosto muito de escrever. De me mostrar por meio da linguagem verbal. De estar comigo, estando com os outros, uma vez que as palavras nos permitem sair de nós mesmos sem, paradoxalmente, sairmos do estado em que estamos... Putz! Procuro me controlar, ser claro, objetivo, mas às palavras têm esse poder sobre mim, de me fazer dizer mais do que quero e ficar com a sensação de que, ao invés de um ponto, uma vírgula bem colocada poderia ter propiciado uma melhor exploração e exposição do meu pensamento, mas enfim, vamos ao que me propus no início desse texto, no título.



Vim aqui hoje, primeiro para dizer aos quem se propõem a ler o que escrevo que fico feliz quando descubro o quanto de pessoas tiram parte de seu precioso tempo para ver um pouco de Davi Tintino através das "mal traçadas linhas" que escrevo. Isso demonstra que, bem ou mal, consigo atrair os outros para os meus pensamentos, para os meus estados d'alma, para aquilo que precisa sair de mim e ganhar vida própria, numa espécie de alterego. Agradeço, assim, a todos e a todas que vêm a este espaço e de algum modo se identifica, seja confirmando, seja negando, seja, ainda, mantendo-se na neutralidade do discurso, embora haja aqueles, como Foucault, que discordam de que as palavras que são ditas resguardam-se a não assumir nenhum lado das contendas sociais. Registro aqui o meu contentamento para com essas pessoas...

Hoje, venho aqui para falar um pouco sobre o ano que está findando, das realizações, das perdas, dos sonhos, das metas... 2010 foi um ano bom, muito bom. Foi um ano de descobertas, de conquistas, de consolidações, de novos caminhos a serem trilhados. Se em 2009 comecei um novo momento em minha vida, 2010 foi o momento de colocar os pés no chão e consolidar aquilo que se iniciou no ano anterior.
No ano passado, consegui alcançar um patamar almejado por muitos, disputado por inúmeros, mas atingido por poucos: ser professor do serviço público federal. Nesse momento, tive que decidir entre dar prosseguimento a faculdade de Direito ou ingressar no magistério do IFRN. Optei pelo segundo e hoje não me arrependo, apesar de ter criado um gosto fantástico pelas discussões jurídicas.
Em 2010, um sonho há muito adormecido, despertou quando comecei a me relacionar com professores do IF que são pós-graduados (mestres e doutores). Resolvi me matricular como aluno especial do mestrado na UFRN. Esse é um processo normal para quem deseja ser aluno regular nesse curso de pós. Em novembro deste ano, submeti-me à exaustiva seleção e, depois de três etapas, posso, hoje, dizer que SOU ALUNO DO MESTRADO EM LITERATURA COMPARADA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE - UFRN.
Se vocês pudessem sentir a emoção ao ver o meu nome entre os aprovados, creio que poderiam compartilhar comigo tamanha emoção. Posso dizer sem medo de estar sendo exagerado que hoje vivo uma das melhores fases de minha vida. Tenho, graças a DEUS, tudo o que pode fazer um homem realmente feliz...
Hoje, olho para trás de vejo o quanto já foi caminhado e o quanto ainda existe para ser caminhado. Vejo-me como um homem comum, com qualidades e não digo defeitos, mas limitações como todo e qualquer ser humano. Gosto e quando gosto, gosto mesmo. Quando algo não me agrada, também me sinto no direito de expressar, claro que com restrições e com educação, acima de tudo. Convivo com pessoas de quem gosto muito, pessoas as quais aprendi a admirar e por quem passei a ser admirado. Convivo também com pessoas com as quais não tenho nenhum afinidade, mas que pelos ossos da vida em sociedade tenho que me submeter a tais presenças.
Alguém pode indagar: "Por que Davi fala tanto em pessoas?". A essa pergunta, digo que tudo que sou hoje é reflexo das pessoas que passaram ou que ficaram em minha vida. Creio que todo mundo que de alguma forma entra em nossa vida, fá-lo por um motivo que muitas vezes desconhecemos por nossa limitação humana, mas que se encontra escrito num livro grandão, guardado por um Ser Onipotente e que tem a chave para tudo. Conheci pessoas que simplesmente vieram, pelas mãos do desconhecido, até mim para que eu aprendesse algo, por mais insignificante que fosse. Outras me mostraram a importância de se ter pessoas verdadeiras e humanas na nossa base. Base de vida. Base de amor. Base de ser. Base de construir. Bases e mais bases sem as quais a vida não seria possível.
Hoje, sendo o que sou, compartilho do princípio de que a presença de amigos na nossa vida é algo tão imprescindível e precioso que se equipara à necessidade e à indispensabilidade dos dedos de nossas mãos. Vejam bem que temos somente dez dedos, cinco em cada mão, mas que são o suficiente para que tenhamos e desenvolvamos todas as habilidades e atividades para nossa vida enquanto animal biológico e animal político, nas palavras de Aristóteles.
Os dedos são ferramentas essenciais para a nossa sobrevivência. Com eles, manipulamos os objetos na realização de tarefas e, mesmo sem objetos, conseguimos realizar uma infinidade de ações importantes na nossa labuta em busca da sobrevivência. Os nossos ancestrais matavam com as mãos (e muitos atuais o fazem como se a vida fosse nada...) em busca de se manter vivo na luta com as outras feras. As nossas mãos lava o nosso corpo para nos livrar das impurezas. As nossas mãos tiram cisco dos nossos olhos... As nossas mãos são a arte que faz a arte. Os meios que nos poem em contato com aquilo de que precisamos para construir, materialmente, o nosso mundo.
Os nossos amigos são as nossas mãos. São os dedos. São a porta da nossa sensibilidade. São eles que nos ajudam a construir o nosso mundo. São eles que nos acariciam. Amigos, amigos, amigos. Tenho dez dedos nas mãos e amigos, será que eu teria mais ou menos? A resposta seria simples, se não fosse tão complexa por conta de todo um conjunto de filosofias de vida (da minha e da dos outros...).
Hoje, quero, nas vésperas de fim de ano, celebrar a vida. Não me aprofundar muitos em alguns assuntos, já que, como disse antes, falo demais e escrevo muito também, proporcionalmente. Quero simplesmente viver sem muita perturbação. Comemorar as vitórias. Aprender com as perdas. Amar e ser amado.
2009 e 2010 foram anos de superação e de conquista. Venci a mim mesmo em vários momentos. E esses dois anos são o coroamento de muito esforço, de apoio incondicional de amigos, de amor incontido de meus familiares, do companheirismo e do carinho de meu amor.
Em 2011, estaremos, com a graça de Deus, juntos...
Obrigado a todos (família, coração, amigos, alunos...) pela vida na minha vida... vocês são a essência daquilo que há de melhor em mim...

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Vazio

Há alguns meses que não venho a este espaço para escrever. Mas hoje, infelizmente, venho para falar sobre algo ruim, uma situação triste, uma dor que grita, um vazio que mais parece um turbilhão de matéria que avoluma o peito. Hoje venho aqui falar sobre mim, sem tons filosóficos e existenciais exacerbados. Hoje venho falar sobre a perda e como ela pode nos fazer ganhar, mesmo que estejamos com olhos voltados, naquele instante, para a dor e não para aquilo que causou a dor.
Hoje, 18 de junho de 2010, é o prolongamento de um dos dias, provavelmente, mais duros e difíceis que já enfrentei nesses trinta anos de vida. Hoje, sinto em mim um vazio que, ao respirar, causa uma sensação terrível que se assemelha a retirada de todos os órgãos que enchem e formam o nosso peito. É uma dor sem consistência, que se apalparmos a região onde fica o coração, não sentimos nada. Mas que ao se respirar profundamente por se lembrar de um momento feliz, causa uma dor terrível que droga nenhuma pode amenizar os efeitos.
Eu sempre li livros em que se narrava romances grandiososos, de amor profundo e que causam muita dor. Essas histórias, por mais que me encantassem, não causavam em mim um impacto muito grande.
Deliciava-me com os conflitos romanescos, as dores das personagens e, vez por outra, ria, questionando a intensidade das dores construídas pelas tintas do autor. Não imaginava que aquilo refletisse fidedginamente o que vivem as pessoas reais. Fui pego no laço e cá estou eu sentindo que abaixo de meus pés não existe mais chão. Que o ar que respiro é denso. Que a noite não traz mais a calma e descanso que lhe são inerentes.
Hoje sinto o que é realmente precisar de um outro ser humano para viver. É saber que, apesar de todos os erros, aquele ser é o único capaz de lhe dar ar, colocar-lhe chão sob os seus pés. Fazer com a noite seja um regaço de calmaria e relaxamento. Nunca pensei ser capaz de viver tão intensamente isso. Vivo hoje, mas o meu coração está muito machucado.
Sempre acreditei que o amor verdadeiro é aquele que dá a liberdade para que o outro ser humano sinta-se livre e voe quando achar que ali não é mais o seu lugar. Agora percebo que seguir esse princípio é doloroso por demais. Deixar a pessoa que você ama, aquela com quem você idealizou toda uma vida, constituir uma família, pequenina e quente, como coração de mãe. Isso dói.
Neste momento, tenho que conviver com várias dores: a dor da perda, a dor do vazio, a dor da fraqueza e da impotência, a dor certeza... Tenho me apegado com Deus. Tenho buscado forças. Tenho chorado... e tenho buscado entender o porquê de tudo isso, a consciência de ter errado.
Não sei o que fazer agora. A ação de viver ganho status de sobrevivência, um dia de cada vez. Peço a Deus forças todas às vezes em que pego o celular, que acesso minha caixa de e-mails, que entro no Orkut. Forças para não desrespeitar o direito de ninguém e, principalmente, da pessoa que, junto com minha mãe, formam as pessoas que mais amo e admiro.
É para você, Amor de minha vida, que escrevo estas palavras, não como uma forma de voltarmos ao estado anterior, mas, como um modo de dizer o quanto o seu amor me é caro e sem ele, fico à deriva. Sou homem, fraco, falível. É para você que me dispo e digo que recorde dos nossos momentos, momentos em que idealizamos um futuro juntos, a dois, ou melhor, a três. Fique com Deus...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Deus na Berlinda...

Fome. Guerras. Desastres naturais. Corrupção. Temas constantes em noticiários de televisão, manchetes de jornais e revistas, mídia on-line. Muitos são os debates, poucas as respostas e, consequentemente, nenhuma solução. Ao contrário, dia a dia, aumenta mais o conflito. Pessoas desesperadas. Governos atados. O Mundo, um caos. Cientistas das mais variadas áreas do conhecimento humano debruçam-se sobre o assunto em busca de explicaões, ao menos acalentadoras, mas nada muda, ou melhor, muda para a pior.
Está mais do que claro que desde que o mundo é mundo, que o homem é homem, que problemas sociais, ambientais, políticos existiram e sempre vão existir. É indiscutível que à medida que a sociedade humana adquire mais conhecimento, que torna-se mais detentora da capacidade de desvendar o mistério, mais o mundo enfrenta novos percalços e, em decorrência, o próprio homem sofre os efeitos, na maioria das vezes, nefastos, principalmente para aqueles que, pouco ou nada, contribuem para tal perturbação mundial.
Busca-se, assim, a raiz do caos. Por que tanta miséria? Por que tanta guerra? Por que tantos desastres? Essas e muitas outras perguntas preenhecm o vazio cortante. Instigam os curiosos. Inflamam as discussões. Muitas são as especulações, o que acaba dividindo a sociedade num antagonismo sem fim: de um lado, os crentes, os evangélicos, os católicos, e todos aqueles que creem que uma força superiora rege as ações humanas, seja agraciando com dádivas, por boas ações realizadas, com colheitas fartas, por exemplo; seja punindo, com catástrofes ambientais, como inundações, secas gritantes, queda de aviões, tudo isso como consequência dos maus hábitos, comportamento vergonhoso etc, etc, etc. Do outro, estão os cientistas, os racionais, os gnósticos, que defendem a tese de que tudo é advindo, exclusivamente, das ações humanas, despido de toda e qualquer interferência sobrenatural.

E, entre esse embate, estamos nós, mulheres e homens comuns, do povo, que labuta de domingo a domingo, para ganhar, quase sempre, um salário minguado, mediocre, um quase nada, a fim de satisfazer, minimamente, as nossas mais primárias necessidades.
Quando falo em "nós" refiro-me a uma maioria quase que sem contato com a informação, refiro-me, infelizmente, a um considerável parcela da humanidade que desconhece a própria essência do ser humano e o que lhe torna mais sublime dentre todos os seres existentes. O homem comum vive do que ouve, recebe toda a "informação" já peneirada pelos manipuladores do poder. O povo sabe aquilo que os idealizadores do poder querem que se saiba.

Difunde-se que é preciso crer em Deus, em Alá, em Ogum em Fulano ou em Sicrano. Justifica-se isso, conforme os estudos da Psicanálise Freudiana, porque o homem necessita de um consolo espiritual. Que o homem que crê vive mais e melhor, já que o humano é feito para crer em algo. E assim o homem vai crendo que Deus dá presente quando fazemos coisas boas. E nos pune quando somos "mal-criados", como um pai que castiga o filho traquino quando este apronta uma de suas peripécias. E assim o conformismo espiritual vai consumindo o conformismo social.

Os céticos, que compartilham do ideal do "ver para crer", rebatem, categoricamente, quando questionam a existência de Deus. Para eles, Deus é apenas uma invenção humana, criado para satisfazer a necessidade de se ter resposta para tudo. Tudo, inclusive para a podridão que se espalha desde que o mundo é mundo. Contra-argumentam, justificando que "Que 'Deus' é esse que permite tanta miséria, tanta criança esquelética, tantos desastres naturais, tanta maldade no olhar humano?" É um ponto interessante a ser debatido, mas que, certamente, para o qual não se encontrará um consenso plausível.
A Ciência é tida como a Deusa da Modernidade. Foi, sem sombra de dúvidas, a forma mais cômoda que o homem medieval encontrou para fugir das amarras da ignorância defendida e difundida pelo pensamento religioso daquela Era. Deus era (e é, infelizmente) um joguete, um marionete, um brinquedo, enfim, uma arma nas mãos daqueles que detinham, à época, o poder de fazer prevalecer a ideologia que lhes era dominante. Deus era o Pai Eterno e Misericordioso, quando podia presentar os que realizassem "doações" para aumentar o patrimônio do Genitor Celestial. Em contrapartida, Deus era o Carrasco, que subjugava aqueles que desobedeciam os Seus Mandamentos, que se recusavam a "comprar" um terreno no céu ou que, por cederem aos prazeres da carne, tinham seus nomes riscados do Livro da Vida.

Esta visão errônea que se tinha sobre Deus foi alterada quando se consolidou o surgimento do verdadeiro pensamento científico. Neste momento de mudança de foco, Deus deixou de protagonizar o espetáculo e a ciência passou a guiar a trajetória humana. O Iluminismo marca, deste modo, exatamente essa transposição. A concepção medieval sendo substituída pela liberdade que a Revolução Industrial estava proporcionando ao novo homem que despontava.

A partir daí, a relação entre o divino e o terreno passou por um novo processo adaptação social. As ciências humanas ganharam novo espaço. A Sociologia e Antropologia, orientadas por um forte cunho filosófico, passaram a explorar o homem em todas as suas dimensões e percebeu-se que ele era dotado de duas formações: uma biológica, reflexo direto da própria evolução, conforme apregoa a Teoria da Seleção das Espécies de Darwin; e outra cultural, como forma de compensações de suas próprias limitações físicas.

Com o tempo, o homem foi percebendo que o seu poder criador atendia às suas necessidades mais básicas e, de certa forma, a sua dependência de Deus foi se tornando mais tênue. Vale salientar que esse "afastamento" da entidade divina deu-se, principalmente, nos grupos elitizados, uma vez que o homem comum e economicamente desfavorecido continuava crendo nas dádivas e castigos divinos. O próprio conhecimento humano passou a ser dividido em níveis, de forma que o conhecimento do homem comum é visto pelo meio acadêmico-intelectual como superficial, oriundo das crenças populares, intimamente ligado aos preceitos religiosos. Enquanto que a cultura predominante virou sinônimo de ciência e incontestabilidade.

Hoje, assistimos a um embate forte entre essas duas formas de encarar a realidade. O Brasil é um país religioso em sua essência. Relembremos, pois, a sua construção espiritual, com os índios, portugueses, os negros. Notemos, por outro lado, a influência da ciência no dia-a-dia do homem. Em tudo há a técnica, o método, o experimento, a observação, como reflexo daquilo que somos capazes de criar, de desenvolver, de aperfeiçoar. Vivemos, paradoxalmente, na Era da Dúvida e da Certeza. A matéria e o espírito disputando a atenção do homem no que concerne à contemplação e, em decorrência, a própria explicação da realidade. Os materialistas mantém a firme defesa do predomínio da ciência. Esta como início e fim do que constrói o homem.

Os céticos criticam a crença em um deus ou em vários. Usam como argumento o princípio silogístico de que se Deus é misericordioso e poderoso, por qual motivo Ele não acaba com toda a miséria que assola o mundo num passe de mágica? Onde se encontra a sua eterna bondade se o que mais vemos são inocentes pagando com a própria vida pela ganância de tantos pecadores? Por que prolongar mais o tempo para a redenção dos fracos? Essas e muitas outras dúvidas são discutidas. A Filosofia tenta encontrar caminhos possíveis para se chegar a um denominador comum. Mas, com ela, surguem mais e mais questionamentos.

Os crédulos mais ferrenhos na fé divina encontram acalento no princípio de que Deus pune pelos males que cometemos. E que se tivermos uma conduta santa seremos agraciados com os sabores que poderão advir dos céus...

Percebemos que desde que surgiu na Terra, atravessando os séculos, evoluindo, abandonando o estado de natureza, apossando-se da racionalidade, o homem tem buscando respostas para os seus conflitos. A sua sede pelo crescimento, pelo ter mais, pelo ser mais, muitas vezes, impede-o de notar que a matéria por si só não possui poder algum. Faz-se mister que nós, seres dotados de relativa inteligência, concebamos a magnitude do estar no mundo não como obra do acaso, de uma explosão desmedida e desmotivada. Somos frutos de uma Força Maior, Inteligente, Superior. É preferível que a ela não seja dada nenhuma denominação como querem os cristãos, os mulçumanos, os umbandistas, os gnósticos. Uma nomeclatura limitaria bastante a própria ideia que se tem acerca da supremacia do cosmo em consonância com as reduzidas formas de se entender o desconhecido por parte do homem.

É aconselhável que não se julge Deus como sendo o causador de todas as mazelas que o homem cria, desenvolve, fomenta. Ao longo de sua história sobre a Terra, o bicho-homem tem conseguido demonstrar que tem o poder. E que esse poder não é fruto do acaso. Ele é exatamente o reflexo do presente que nos foi dado. A ciência é este poder! Temos a capacidade de criar e descobrir novas formas de vivermos bem. Creio, plenamente, no livre-arbítrio. Somos detentores do poder de escolha. De buscarmos o melhor e exotarmos o pior. A escolha é nossa. Foi nos dado esse privilégio de percebermos que estamos vivos e que, como já preconizava Descartes, "logo existimos". O homem constrói e o homem destrói. Faz nascer e faz morrer. A escolha é sempre nossa. Deus... bom Deus foi o Arquiteto do Universo. Nós, homens com escolha, os mestres de obra de nossas próprias ações. Tiremos Deus da Berlinda. E coloquemo-nos nós próprios em Seu lugar. A escolha é nossa. Julgemo-nos e mudemos nossa trajetória terrestre, para quem sabe, um dia nos tornamos o mais próximo possível de Deus: Luz e Bondade para os homens (todos!) de Boa Fé! Amém!

sábado, 20 de junho de 2009

Hora...

Olá, pessoal. Cá estou eu novamente. Venho mais uma vez publicar uma poesia-nominal. Ela é do tempo da faculdade de Letras, época em que estava mais aberto à expressão do meu mundo interior por meio de palavras soltas, tortas, emotivas, duras... enfim, palavras presas em meu "eu". Tive vontade de publicar depois de ler uma poesia de Carlos Michel, de quem já falei outrora. Li o texto dele e lembrei que eu havia escrito algo parecido. Procurei e encontrei-a perdida e esquecida por seu criador. Espero que entendam e levantem múltiplas interpretações. Até mesmo, as mais ousadas. Ei-la:



HORA...

Rua.
Calor.
Noite.
Lua.
Olhar.

Mãos.
Atração.
Contato.
Sensação.
Carinho.


Ritmo.
Desejo.
Estrelas.
Cheiro.
Choque.


Delícia.
Suor.
Loucura.
Saliva.
Beijo.
Brisa.

Lua.
Aceleração.
Movimento.
Aperto.
Estrelas.

Calor.
Êxtase.
Sons.
Cheiro.
Olhos.

Momento.
Gemidos.
Lugar.
Noite.
Clímax.
Tudo.

Eros...












Davi Tintino (27.11.01.)








domingo, 19 de abril de 2009

Dos tempos de minha 8ª Série, 1995.

Eita, quanto caminho eu percorri desde que tabelei o ano de 1995, época de minha saudosa 8ª Série "A", lá, naquela escola tão pequenina, mas que para mim parecia enorme, nas manhãs frias de educação física, quando batíamos uma bolinha num espaço de areia que havia entre as salas, onde usávamos, como traves, os bancos de concreto e madeira.
Era um tempo de descobertas, de sonhos, de medos, de desejos físicos... Era o tempo em que este que vos escreve contava com apenas 15 anos. Já naquele momento de minha vida, eu sentia um desejo doido e incontido de escrever, parecia um bicho que consumia meu interior em busca da luz no fim do túnel. Lembro-me que eu escrevia bastante, principalmente, as minhas impressões acerca do mundo, das pessoas, dos medos da humanidade, das dificuldades que eu, como jovem perdido no mundo, sentia em relação ao futuro, ao que poderia acontecer (ou não!).
Estava eu, por estes dias, procurando livros no meu mundo de papéis, quando encontrei um destes saudosos textos que me relaxavam na época de minha tão difícil adolescência. É um texto simples, feito num verso de uma folha que arranquei do caderno de um colega de turma (Edgard André Pereira de Sousa - olha só a minha memória, pois recordo-em completamente o nome de muitos colegas de outrora - pessoa esta de cujo saco eu gostava de enher, tirar a paciência... bons tempos...). Bom, o texto é simples, cheio de "erros", negação às normas gramaticais, redundâncias etc etc etc.
Vou postá-lo, ipsis litteris, afim de mergulhar na cápsula do tempo e, por meio das linhas e palavras tortas, reviver em algum cantinho aconhegante da memória aquele tempo de medos e desejos reprimidos, em que lutar era uma questão de indepenência. Vejam, como o Davi de Hoje via o mundo naquele momento. Ei-lo:

"Consqüências do Egoismo"
" 'Tudo bem? acho [sic] que não. Têm [sic] gente por ai [sic] com cara de fome. A sociedade se entregou por inteiro ao egoismo [sic]. Egoismo [sic] palavra abstrata, que não se ver [sic], mas que se sente. Todos tem [sic] um pouco de egoismo [sic] dentro de si. Essa palavra surgiu no mundo desde os tempos mais remotos, desde que o homem começou a raciocinar, pensar no seu bem-estar. Agora o egoismo [sic] não vive só, Para [sic] lhe fazer companhia surgiu a cobiça e, [sic] a ambição. Deus fez o mundo sem cercas e muros, para que suas criaturas pudessem pocriar e dar as [sic] suas mudas o poder da liberdade. Deus incubiu ao [sic] homem pregar [sic] O [sic] seu [sic] amor sem distinção, ou seja, o que ou a quem.
Muitos hojes (sic), filhos de Deus [sic] são discriminados pela cobiça que os próprios homens gerarar. O egoismo [sic] gerou não somente a ambição, a cobiça, mas também a fome, o racismo, a posição social e muitos outros motivos para que Deus deve estar confuso [sic], pensando como que seus [sic] filhos tiveram cabeça Para [sic] amestrar um sentimento tão sórdido. Talvez algum dia O [sic] homem possa olhar para tráz [sic] e perceber como seu raciocínio negativo gerou no mundo tanta miséria' ".

Autor: Davi Tintino Filho (1995)

Legenda:
- Sic: Sic é um termo da língua latina cuja tradução literal é "assim". A palavra Sic é usada freqüentemente em português para indicar é desta forma (Sic et simpliciter). É possível, de fato, que a palavra "sim" do português tenha origem neste termo.
A palavra "sic" é usada para evidenciar que o uso incorreto ou incomum de pontuação, ortografia ou forma de escrita presente em uma citação, provém de seu autor original. Serve assim para deixar claro ao leitor que não houve um erro de
tipografia. Além desse uso como advertência, a palavra também pode ser empregada para denotar ironia, como neste exemplo:
"O ministro
Antônio Rogério Magri afirmou ontem que Fernando Collor é imexível [sic]."
Via de regra a palavra aparece no texto da forma exemplificada: entre
colchetes e itálico. Isto visa deixar claro que o "sic" não faz parte da citação em si mas foi acrescentado pelo autor da transcrição.

- Ipsis litteris: Ipsis litteris é uma expressão de origem latina que significa "pelas mesmas letras", "literalmente" ou "com as mesmas palavras". Utiliza-se para indicar que um texto foi transcrito fielmente ao original. Pode-se também utilizar uma expressão de mesmo significado, ipsis verbis, que quer dizer "pelas mesmas palavras", "textualmente".

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sic

sábado, 11 de abril de 2009

Sensações

Oi, pessoal, há um tempinho que não posto nada. Quero me desculpar com aqueles que, vez por outra, passam por aqui e perdem um pouco de seu tempo para ler os meus devaneios. Mas vamos lá. Por estes dias, estava eu a procurar uns livros para poder estudar quando surgiu aos meus olhos um velho papel com palavras soltas, aspirantes à poesia. Elas refletem bem um momento em que, provavelmente, a minha falta de concentração teimava em me levar para longe. Leia e certamente vocês poderão imaginar onde estava com a minha cabeça. Boa leitura!



"A respiração forte.
O livro aberto.
O pensamento longe.
A tentativa de concentração, escorregadia.


As palavras soltas no papel gritam uma língua estranha!
Tão simples!
A compreensão incerta
Reforça a certeza do desejo...
Latente!?



Parece indiferente à distância.
Lêdo desejo para quem tem receio de amar.
Então seria amor aquilo que pertubava seu ser?


Ou seria paixão efêmera,
Por um corpo também efêmero?


Sentir...


Ou seria tão somente a carne pulsando lascivamente,
Sob a fina camada de tecido?


Sentir...


Talvez reflexo único de algo maior,
Subliminar,
Único,
Humano...


Sentir...


A resposta é dúbia,
Vaga,
Impalpável à razão sapiens, sapiens...


Sentir...



Sentir,
Desejar,
Real!


Sentir...


O insólito é o denominar,
O caracterizar,
O indizível é medo,
Medo da vontade,
Da insanidade,
Do entregar-se à vontade do corpo.
Do corpo de outrem devorando o seu...



Sentir...




(Por incriível que pareça, não registrei a data de criação deste... desta... bom, deste texto!).